Gabriel Damásio
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O empresário Manoel Messias Sukita Santos, ex-prefeito de Capela (Vale do Cotinguiba) e filiado ao PSB, foi preso por volta das 6h de ontem em um condomínio de alto padrão na esquina das avenidas Beira-Mar e Anísio Azevedo, bairro 13 de Julho (zona sul de Aracaju). Ele foi o alvo principal da "Operação POP", deflagrada no início da manhã pelas polícias Civil e Federal, com base em investigações feitas também pelos ministérios públicos Federal (MPF) e Estadual (MPE), pela Receita Federal e pela Controladoria Geral da União (CGU).
Além do ex-prefeito, também foram presos o ex-secretário municipal de Finanças de Capela, José Edivaldo dos Santos, e duas parentes próximas de Sukita: a esposa Silvany Yanina Mamlak, ex-primeira-dama e ex-superintendente regional da Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf), e a irmã Clara Miranir Santos, empresária que geria os negócios do ex-prefeito. Segundo o MPF, todos estão com a prisão preventiva decretada, sendo acusados por crimes de improbidade, lavagem de dinheiro e desvio de recursos públicos estaduais e federais. (leia mais no boxe)
Ao todo, os policiais cumpriram oito mandados de busca e apreensão e quatro de prisão, sendo metade deles expedidos pela Justiça Federal de Sergipe (JFSE) e a outra parte pela primeira instância do Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE). Ao todo, oito endereços foram visitados pelos policiais civis e federais, sendo quatro em Capela. Na cidade, foram visitadas uma casa e uma chácara do ex-prefeito, além de duas casas pertencentes ao ex-secretário Edivaldo, que foi preso na cidade. Nos quatro locais, que foram minuciosamente vasculhadas por toda a manhã, foram apreendidos computadores, documentos e duas carabinas, além de quatro carros, sendo dois de luxo.
Os outros quatro locais visitados foram na capital. No apartamento de Sukita e Silvany, situado no 18º andar da Mansão Otávio Penalva, na 13 de Julho, mais bens e mais documentos eram recolhidos pelos policiais que entraram no prédio – e lá permaneceram por quase seis horas. O local foi isolado por policiais civis fortemente armados, o que despertou a curiosidade de quem passava por ali. Na saída, o empresário e a esposa foram levados em carros diferentes, juntamente com outro carro de luxo e até dois jet-skis.
Durante a presença dos policiais no apartamento, Sukita assinou os mandados judiciais e, mesmo detido, deu uma entrevista por telefone à rádio Mix FM Aracaju, na qual alegou ser "inocente" e "vítima de perseguição dos adversários". "Digo aos adversários que por hora eles conseguiram…Tem um ano e meio que se vê a pressão da nossa oposição. A justiça não age sozinha, tem que ser provocada. A pressão que colocaram em mim, a perseguição que tenho sofrido na política do dia que entrei até hoje, é muito grande. As autoridades todas do Estado se voltaram contra mim. E não tem como evitar. Só tenho que rezar", disse ele. Questionada, a PF informou que a entrevista foi permitida porque "o preso exerceu o seu direito de falar".
Além do apartamento na 13, foram feitas buscas em duas lojas da Sukita Automóveis, uma das principais revendedoras de veículos seminovos e usados, na Avenida Desembargador Maynard, no Getúlio Vargas (zona central). Dezenas de agentes ficaram por mais de quatro horas na loja, apreendendo veículos, documentos, computadores e até mesmo um cofre. Parentes do ex-prefeito e funcionários da loja permaneceram a todo o tempo no local e colaboraram com os trabalhos da polícia. O local também chegou a ser visitado por curiosos, que foram mantidos à distância.
Os presos foram chegando aos poucos à sede da Superintendência da PF em Sergipe, no bairro Siqueira Campos (zona oeste) – os últimos foram Silvany e Sukita, por volta do meio-dia. Após serem interrogados durante toda a tarde, os quatro presos foram encaminhados no início da noite ao Instituto Médico-Legal (IML), onde fizeram exame de corpo delito, e depois transferidos para locais diferentes. Sukita e Edvaldo ficaram detidos na Delegacia Plantonista (Centro) e devem ser levados hoje para o Complexo Penitenciário Manoel Carvalho Neto (Copemcan), em São Cristóvão (Grande Aracaju). Clara e Silvany, por sua vez, foram para a 11ª Delegacia Metropolitana (11ª DM), na Barra dos Coqueiros, e seguirão para o Presídio Feminino de Nossa Senhora do Socorro, ambas as unidades na região metropolitana.


