Superlotação em maternidades públicas preocupa autoridades

O Ministério Público Estadual (MPE) será acionado esta semana por meio do Conselho Regional de Medicina sobre os problemas existentes nas maternidades de Sergipe e que atendem aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). Com apenas 12 leitos no pré-parto e 74 no peri-parto, a Maternidade Santa Isabel chegou a fechar as portas na manhã de ontem devido à superlotação gerada durante todo o período da Semana Santa. Nos quatro dias de feriado prolongado foram 128 prontuários abertos, sendo 58 para gestantes que chegaram a ser atendidas, além de 70 gestantes que foram avaliadas e em seguida transferidas ou liberadas para o pré-natal. A unidade contabilizou ainda 27 partos normais, 23 partos cesarianos e três curetagens.
Mesmo diante da atual situação de calamidade administrativa, a Maternidade Nossa Senhora de Lourdes continua atendendo aos pacientes que buscam o auxílio público. Durante a superlotação na Maternidade Santa Isabel, a unidade Nossa Senhora de Lourdes registrou aumento de até 150% se comparado às semanas anteriores. O maior problema, segundo análise dos gestores locais, está ligado diretamente à falta de estrutura e condições de trabalho nas maternidades do interior do estado, em especial aquelas que ficam nas cidades de Capela, Lagarto, Estância e Itabaiana. O relatório a ser encaminhado à Promotoria de Direitos à saúde tende a exigir melhoria imediata nas unidades do interior sergipano.
Para agravar ainda mais a situação vivenciada pelas gestantes que dependem exclusivamente do SUS em Sergipe, Douglas Rosendo, que reponde pela administração da maternidade Santa Isabel, uma pequena, porém existente porcentagem dos pacientes é formada por grávidas que vêm de estados vizinhos como Bahia e Alagoas. Em posse de dados atualizados, o gestor informou que na manhã de ontem, por exemplo, 53% dos atendimentos foram provenientes do interior. Caso a situação permaneça desta forma, ele acredita que em um futuro breve a unidade necessitará passar por novo bloqueio do serviço. Sem condições de atender, grávidas correm o risco de tentar o acesso na unidade, mas serem barradas.
"Para se ter noção do problema, na manhã de ontem resolvemos o impasse, mas poucas horas depois a superlotação voltou a causar os mesmos problemas. Essa unidade que deveria atender apenas gestantes que residem na capital, ou no máximo em alguma cidade da Grande Aracaju, hoje atende a todos. Se as maternidades regionais funcionassem como deveriam, certamente não estaríamos passando por essa situação delicada", lamentou. Douglas destacou ainda a ausência de progresso nas obras das maternidades no Hospital Universitário e no bairro Santa Maria. "Se estivessem concluídas teríamos mais duas maternidades disponíveis para a população e nem a Santa Isabel, nem a Nossa Senhora de Lourdes estariam com a capacidade funcional acima do limite", pontuou.
O Conselho Regional de Medicina não informou quando deve protocolar o dossiê junto ao Ministério Público, mas destacou que as análises foram coletadas entre os dias 11 e 19 de março. A Promotoria dos Direitos à Saúde não se pronunciou oficialmente quanto ao problema vivenciado pelas gestantes do SUS.

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