Suspeito de extermínio em Poço Verde é preso no PA

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

O ex-presidiário José Augusto Aurelino Batista, 40 anos, apontado como um dos integrantes do suposto grupo de extermínio que atuou em Poço Verde (Centro-Sul), foi preso às 9h de ontem no interior do Pará. A operação foi realizada por uma equipe da Coordenadoria de Polícia do Interior (Copci), com apoio de policiais paraenses. Aurelino, implicado em pelo menos três assassinatos ocorridos na região, era procurado há mais de três semanas pela polícia sergipana e chegou a ter sua prisão decretada pela Justiça.

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) não divulgou a cidade onde Aurelino foi encontrado e deu poucos detalhes sobre a operação, para garantir o andamento da operação e a segurança dos policiais enviados ao Pará. Confirmou apenas que ele foi preso em uma loja, não reagiu à prisão e estava acompanhado por um amigo. Segundo o porta-voz do órgão, Lucas Rosário, a prisão será esclarecida em entrevista coletiva a ser dada após a chegada do foragido a Sergipe, o que pode acontecer hoje ou amanhã.

José Augusto foi o primeiro suspeito revelado nas investigações da Copci sobre as mortes violentas em Poço Verde, atribuídas em um dossiê do Ministério Público local a uma quadrilha de "justiceiros" que teria inclusive divulgado uma lista de pessoas marcadas para morrer, encontrada em muros, portas de escolas e até nas redes sociais da internet. Segundo o MP, boa parte das 17 vítimas mortas desde novembro de 2012 tinha envolvimento com crimes no município e alguns já chegaram a ser presos. "O grupo que elimina as pessoas é comandado por ele. A partir da detenção dele, nós vamos saber quem são seus asseclas e quem é que patrocinou esses crimes, se é que houve patrocínio", disse há duas semanas o delegado Everton Santos, da Copci.

Na quinta-feira passada, Aurelino chegou a dar uma entrevista por telefone à rádio Megga FM, na qual disse que estava "a 3 mil quilômetros" de Sergipe, que é inocente e que não se entregaria à polícia por medo de ser morto na cadeia. "Não tenho nada a ver com isso aí. Não vou me entregar porque, se eu for me apresentar, vou pagar por tudo. Não tem outro nome, a polícia não quer ir procurar quem deve, quer procurar a mim que sou ex-presidiário, que sou ‘sujo’, como eles dizem", afirmou, na ocasião. O capitão reformado da Polícia Militar Josenildes Santana, 60, também acusado pelos crimes de Poço Verde, foi detido dois dias antes por ordem do Comando da corporação e teve sua prisão temporária decretada pela Justiça.

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