Milton Alves Júnior
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Passageiros do transporte público de Aracaju estão enfrentando problemas ao embarcar e desembarcar dos terminais de integração instalados em toda a região metropolitana. A situação caótica deparada por milhares de usuários do serviço, que vem sendo destacada pelo Jornal do Dia ao longo dos últimos anos, parece ter adquirido um empecilho a mais na zona Sul da capital sergipana. Sem fornecimento de energia elétrica desde o último sábado, 30, passageiros e comerciantes que transitam diariamente no Terminal de Integração da Atalaia estão aflitos com a falta de segurança. Receosos com possíveis ações criminosas, em caráter temporário muitos vendedores já abandonaram os respectivos postos de trabalho.
Como se não bastasse a escuridão dominante, a ausência de agentes e viaturas da Guarda Municipal de Aracaju também tem contribuído para que a sensação de vulnerabilidade esteja presente no dia-a-dia daqueles que necessitam descer na estação. A Energisa, empresa responsável por fornecer energia em grande parte do Estado de Sergipe, informou que foram protocolados inúmeros pedidos de reparo na rede elétrica do espaço, porém enalteceu que a responsabilidade dos terminais fica por conta exclusiva da Prefeitura de Aracaju. Por sua vez, a Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT) declarou ter conhecimento da reivindicação popular e que já está trabalhando no local a fim de atender ao pleito dos contribuintes.
Apesar da garantia, o órgão municipal não informou quando o serviço deve estar pronto. Enquanto o sistema não é reajustado, apenas os postes públicos instalados nas intermediações do terminal estão contribuindo para clarear parcialmente as duas plataformas utilizadas pelos passageiros. Segundo o comerciante Eduardo Santos, durante os últimos cinco dias todos os vendedores estão contabilizando perdas financeiras devido à baixa procura pelos alimentos e bebidas. Situação pior é enfrentada por trabalhadores que revendem sorvetes e açaí.
Sem energia, os freezers evidentemente não funcionam e os produtos acabam derretendo. Eduardo alega também que o problema é recorrente, e pede agilidade por parte da SMTT. "Tenho colegas que tiveram que levar os freezers para casa ou galpões aqui perto porque os produtos estavam todos se desmanchando. A gente que continua aqui não vê o trabalho render porque ninguém vem comprar. Com medo de assalto as pessoas preferem não mexer em dinheiro no escuro e ficam sem comprar nada, só esperando o ônibus chegar", declarou.
Sobre a falta de agentes da Guarda Municipal no terminal, a corporação informou apenas que rondas seguem ocorrendo de forma frequente nas vias dos ônibus e em ruas paralelas. Apesar dessas alegações, o comerciante Flávio Teles disse que a atuação da GMA não colabora na redução de assaltos. O crítico lembra que há pouco mais de dois anos existia um posto fixo de atuação da guarda dentro do Terminal da Atalaia. Por motivos não revelados o box de fiscalização foi desativado e assim segue por tempo indeterminado.
"Entendo perfeitamente que outros locais da cidade também precisam dessa presença dos agentes de dia, tarde e noite, mas aqui precisamos talvez muito mais. O que deixa todo mundo curioso e revoltado aqui é que já tinha o posto onde ficavam uns três guardas, mas agora não tem nenhum. Eles passam no carro, dão duas voltas e saem. Daqui a três, quatro horas eles passam outra vez e vão embora. Sem energia e sem a presença deles aqui não tem como a gente ficar tranquilo", afirmou Teles.

