Domingo, 14 De Abril De 2024
       
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Tinha de ser Linda


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Publicado em 14 de março de 2024
Por Jornal Do Dia Se


Uma verdadeira feminista.(Divulgação)

Rian Santos
 
A deputada estadual Linda Brasil discorre hoje sobre o direito ao aborto, sob o feliz pretexto do debate proposto por um premiado filme brasileiro de grande repercussão no circuito dos festivais, mundo afora. Tinha de ser ela. Tinha de ser no Cine Vitória.
Sim, a representação feminina na Assembleia Legislativa de Sergipe deixa muito a desejar. Não se trata apenas de uma questão numérica. Trata-se, sobretudo, de compromisso com as questões de gênero mais urgentes. Ou alguém imagina a deputada Áurea Ribeiro defendendo o direito ao aborto com unhas e dentes, como fazem apenas as verdadeiras feministas?
Sim, tinha de ser Linda. Às vésperas de um pleito eleitoral, quando todas as atenções se voltam para o embate nas urnas, até o mais progressista dos candidatos treme. Debates urgentes como a legalização do aborto, com incidência na realidade concreta da população, acabam sufocados por um moralismo tacanho, relegados a segundo plano.
Toda eleição, o tema volta à baila, sob os argumentos mais atrasados. Recentemente, o debate tomou o rumo das vias tortas e chegou de maneira escandalosa à barra dos tribunais. O leitor certamente se lembra: A juíza Joana Ribeiro Zimmer, da Justiça estadual de Santa Catarina, induziu, em audiência, uma menina de 11 anos, vítima de estupro, a desistir de um aborto legal. O episódio ganhou repercussão após a publicação de uma matéria no site The Intercept Brasil. A bem da verdade, situações muito parecidas se repetem todos os dias, nos quatro cantos do país.
No Brasil, o aborto só é arriscado para quem não pode pagar pela intervenção adequada. Segundo a Pesquisa Nacional de Aborto (PNA) realizada há alguns anos, a interrupção da gravidez é prática tão comum que, até completar 40 anos, mais de uma em cada cinco brasileiras o comete. De acordo com as estimativas mais conservadoras, pelo menos 330 mil brasileiras abortaram apenas no segundo semestre de 2021. Além disso, pesquisas revelam que as mulheres negras, com baixa escolaridade e renda são mais vulneráveis ao aborto de risco.
Os valores envolvidos na peleja já foram confrontados diante da Justiça, no plenário do Supremo Tribunal Federal. Coube ao ministro Carlos Ayres Britto proferir o voto que garantiu às mulheres o direito de interromper a gravidez de anencéfalos. O problema é que por onde passou boi tarda a passar boiada. A atuação dos setores religiosos representados pela bancada da bíblia impede que a decisão do STF abra um necessário precedente progressista e crie um ambiente favorável à descriminalização sob qualquer circunstância, postergando uma revolução que, pelo bem de toda mulhe, sobretudo a mulher negra e de baixa renda, ainda há de vingar um dia.
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