Gabriel Damásio
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Um ousado atentado a tiros aconteceu no final da tarde de segunda-feira em uma estrada estadual que dá acesso ao Complexo Penitenciário Manoel Carvalho Neto (Copemcan), em São Cristóvão (Grande Aracaju). Um homem armado invadiu um ônibus da Coopertalse que fazia a linha São Cristóvão/Aracaju e disparou vários tiros contra um rapaz e uma senhora que estavam sentados no banco dos fundos, na presença de 28 passageiros atônitos que fugiram desesperados dos tiros. O crime será investigado pelo Departamento de Homicídios da Polícia Civil (DHPP).
O rapaz baleado, Antônio Marcos José Santos, 22 anos, o "Índio", levou seis tiros, sendo dois na cabeça, e morreu ontem de madrugada no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse). Já a mãe dele, Maria Alzira dos Santos, 49, foi baleada em um dos braços e permanece internada no Huse, onde se recupera de uma cirurgia para correção de uma fratura exposta. O autor do ataque foi identificado pela polícia apenas pelo apelido, "Cabeça", e está sendo procurado.
Segundo informações de testemunhas, Marcos e Alzira estavam voltando do Copemcan, onde tinham ido visitar um detento, e preparavam-se para voltar para casa. Ao entrar no microônibus, mãe e filho foram para os fundos e não perceberam que estavam sendo seguidos. O assassino, por sua vez, tentou subir no microônibus, mas ao ser barrado e informado pelo motorista que o veículo estava lotado, ele disse que estava apenas "procurando uma pessoa" e foi liberado. "Cabeça" sacou a arma assim que viu "Índio" no banco dos fundos e atirou várias vezes seguidas contra ele.
Todos os passageiros entraram em pânico e buscaram sair do ônibus para tentar escapar dos tiros, seja correndo até as escadas ou pulando as janelas. O motorista e o cobrador também tentaram fugir, mas o bandido os obrigou a ficar no ônibus até quando ele fugisse. Depois de atirar, "Cabeça" desceu correndo até um carro GM Celta de cor verde sem placas, no qual fugiu com um comparsa que já o aguardava. Equipes da Polícia Militar e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram chamadas e socorreram as vítimas ao Huse. Antônio foi direto para a Ala Vermelha, onde não resistiu aos ferimentos e morreu horas depois.
O microônibus foi levado para a 12ª Delegacia Metropolitana (São Cristóvão), onde foi periciado pelo Instituto de Criminalística. Além dos bancos do veículo, a lataria e até alguns passageiros chegaram a ficar sujos de sangue. O delegado Deskson Almeida, da 12ª DM, apontou que o crime teve características de execução encomendada, pois, segundo ele, "não houve nenhuma característica de assalto". Ele repassou o caso ao DHPP assim que a morte de "Índio" foi confirmada.


