Gabriel Damásio
Pesquisadores da Universidade Federal de Sergipe (UFS) e do Instituto de Tecnologia e Pesquisa de Sergipe (ITPS) apresentaram o relatório de ontem uma pesquisa realizada em 10 estuários, que são áreas de deságue de rios e mangues que ficam junto às praias. O objetivo foi detectar o impacto sofrido nos locais que foram afetados pelas manchas de óleo derramadas no oceano em setembro do ano passado, as quais poluíram as praias de todo o litoral sergipano. Os técnicos percorreram sete cidades do litoral (Aracaju, Itaporanga D’Ajuda, Pacatuba, Brejo Grande, Japaratuba, Pirambu e Estância), onde recolheram amostras de água, peixes e crustáceos.
Os técnicos procederam a uma primeira fase do levantamento, em busca da presença de 16 compostos orgânicos que compõem o petróleo e podem causar efeitos nocivos ao ser humano. A professora Maria Teresinha Santos, do Departamento de Tecnologia de Alimentos da UFS, explica que a presença destas substâncias nas amostras coletadas ficaram abaixo dos limites tolerados pela legislação brasileira, no caso da água, e pela legislação sanitária da União Européia, no caso dos alimentos. A lei europeia, considerada rigorosa, foi adotada porque não há ainda uma lei brasileira que regule a presença de substâncias e compostos químicos nos alimentos.
O professor Walter Santana, vice-reitor da UFS, disse que a pesquisa não constatou nenhuma alteração significativa na água, nos peixes e crustáceos dessas regiões. Ele garantiu que, mesmo com o resultado positivo, essa situação continuará sendo monitorada, com o objetivo de mensurar qual o impacto biológico de longo prazo nos estuários. "Nessa primeira fase não houve um acréscimo significativo desses compostos, mas há a necessidade de monitoramento contínuo porque os pescados continuam se alimentando e podem estar absorvendo material contaminado e ao longo do tempo essa análise pode mudar, por isso, há sim a necessidade de monitoramento contínuo por tempo sistemático para garantir que esse efeito não vai inverter e passar a prejudicar a população. O impacto ambiental é imensurável, mas sugerimos pelo menos um monitoramento pelos próximos cinco anos", disse ele.
A outra parte do acompanhamento dos prejuízos causados pelas manchas consiste em outra análise das amostras, para detectar a presença de metais pesados, o que ficou a cargo do ITPS.
Ao longo da última semana, foram constatadas pequenas manchas que apareceram na areia das praias, mas elas não estão relacionadas com o óleo cru derramado no mar. Segundo o analista ambiental da Adema, Antonello Moraes, trata-se de pequenas manchas que estavam enterradas na areia e submergiram após o avanço das marés. Ele disse que disse que a balneabilidade e as condições de uso das praias e dos rios estãogarantidas. "As manchas desse óleo que está aparecendo nos últimos dias são pontuais e após análise verificamos que esse óleo estava enterrado. E, com a maré alta esse resíduo está subindo para superfície. Não há manchas novas de óleo nas praias", disse Moraes.
As manchas de óleo derramadas no mar atingiram todos os estados do Nordeste, o Espírito Santo e parte do Rio de Janeiro. A origem das manchas ainda não teve sua origem confirmada pela Marinha e pela Polícia Federal.

