Um corredor apertado

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

Élber Batalha reduziu a Secretaria de Estado da Cultura a um corredor apertado. Incapaz de fomentar a criação de um mercado criativo sustentável, ancorado na sensibilidade da aldeia – como, aliás, prometeu quando assumiu o cargo -, o secretário vem empurrando os muitos encargos sob a sua alçada com a barriga. E parece satisfeito com o próprio passo. Nenhuma pressa aparente. Roteiro traçado ao acaso.
As telas penduradas na sede da Secult de quando em quando, em intervalos mais ou menos regulares, único feito original da sua gestão, são a maior prova. A programação do Corredor Cultural Irmão, uns duzentos metros de parede no prédio da secretaria, vem atendendo a pretextos diversos. De certo, o séquito de bajuladores dispostos ao disparo das selfies e a pouca valia das homenagens.

Faz lembrar os títulos de cidadania oferecidos sem nenhum critério em Câmaras municipais e Assembléias Legislativas estaduais, Brasil afora. A mostra inaugurada esta semana, por exemplo, faz menção ao vulto da bailarina Lú Spinelli para render vivas e aleluias a doze mulheres sergipanas (ver matéria baixo). Entre as laureadas, Ana Dorta Valadares e Elza Batalha. Ninguém sabe quem sejam, nem o Google! No sobrenome das duas, a única pista sobre a ascendência que lhes conferiu a consideração do Estado.

Fato concreto, a gestão do secretário Élber Batalha – e, por extensão, do governo Jackson Barreto, não custa sublinhar – resultou até agora em coisa nenhuma. Um ano perdido a troco de nada. A Orquestra Sinfônica de Sergipe segue pendurada na corda bamba. Artistas de todos os seguimentos continuam com a faca no pescoço, obrigados a passar o chapéu na esperança de realizar os próprios projetos, à revelia das políticas públicas que justificariam os tantos cargos comissionados aboletados no Estado. Nem os poucos editais lançados até o momento servem de consolo. Falhos e pontuais, eternamente à mercê da boa vontade do governo de plantão, respondem apenas à conveniência do momento, sem nenhuma solução regimental de continuidade.

Outro fato concreto: a Cultura sempre foi usada como moeda de troca eleitoral. Desta feita, coube ao PSB de Élber Batalha tomar conta do terreiro, pouco importando a falta de intimidade confessa do mandatário com os papocos dos tambores feridos por estas praias. Élber Batalha no lugar de qualquer outro. Sem reação da classe artística, tanto faz o nome do secretário.

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