Rian Santos
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Não é um espetáculo de teatro o que Di-ane Veloso realiza em ‘Vulcão’. Não no sentido convencional do termo. Há um texto inspirado na experiência pregressa da atriz, além dos palcos. Há cenário, luz, trilha sonora e as marcações de praxe. Sob a direção de Sidnei Cruz, contudo, o monólogo assinado pela dramaturga Lucianna Mures é experimentado de tal maneira que, estilhaçada, a narrativa dá lugar à performance.
O volume do gesto. A inflexão antes do enunciado. Como em todo ritual, o modus se antecipa aqui ao significado. A evocação ancestral realizada por força da insistência em um tema fundamental – os marcos de vida pessoais e os ritos de passagem – provoca mais do que comunica. E é no apelo aos sentidos da plateia que a mágica opera o seu milagre.
Um acordo tácito de cumplicidade permeia a relação entre as partes interessadas. Diane se joga de um lado pro outro, feita boneca de pano, num verdadeiro tour de force. Canta, dança e interpreta, esgoelada. Cabe ao sujeito sentadinho na cadeira abdicar de qualquer impulso de racionalização e seguir no encalço da moça. Ninguém espere uma história com começo, meio e fim. Sob pena de perder a viagem.
Tudo se passa nas sombras projetadas pelo corpo. A própria palavra emerge das entranhas. Com ‘Vulcão’, Diane Veloso renova os votos jurados ao ofício e elege a si mesmo como tablado do sensível. Um drama feito da carne.
Caixa Cênica apresenta ‘Vulcão’ na Intera (Rua Riachuelo, 70):
Todas as sextas, até 31 de julho, às 20 horas.


