Um jingle antigo

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

O sete cordas Ricardo Vieira resolveu gastar as unhas com um jingle eleitoral já antigo, bonito como eram bonitas as campanhas de outro tempo, quando o sonho e a fé no futuro se impunham como aspirações genuínas, antes dos memes e das correntes de Zap Zap, quando a mentira recebia o nome de mentira, sem verniz de inglês, antes existir Fake News.
A crise em curso é também estética. O deputado federal André Janones percebeu como a banda toca agora e resolveu tirar proveito da esculhambação. Tuiteiro engajado na campanha de Lula, ele provoca, lacra e fecha. Eu bato palmas, compartilho, dou risada. Mas também sinto uma dor fina, uma pontada aguda no peito, consciente da miséria atual.
A linguagem sucumbiu à barbárie, feita gato-sapato, sob a desculpa maquiavélica de que os fins justificam os meios, mãos dadas com um déficit escandaloso de sensibilidade e educação. Num país como o Brasil, com onze milhões de analfabetos, a simplificação fatalmente descamba em vulgaridade. Na velocidade das redes, a imagem compartilhada vale muito mais do que mil palavras, o argumento foi silenciado, a hashtag suplantou a reflexão.
“Lula, lá…”, canta o violão de Ricardo, prenhe de esperança e nostalgia, com beleza pungente. Devoto da Música, eu digo amém.

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