Rian Santos
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João do Rio é o autor homenageado da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) – uma deferência que se estende aos periódicos do início do século passado, onde ele ganhava o pão. E também ao ofício de cronista.
Os jornais já alardearam notícias mais promissoras nos pregões da opinião pública. Em franco declínio, os meios de comunicação tradicionais enfrentam agora toda sorte de revés. Desde a injustificada desconfiança promovida por grupos organizados, orientados por interesse particular, até a diluição das verbas de publicidade.
O status rebaixado dos jornalões produz reflexos deletérios notáveis. Cada vez mais magros, uniformes e objetivos (ai, Nelson Rodrigues!), os jornais não acolhem autores, tornaram-se arredios à sedução da linguagem,escravizados pela ordem do dia, baniram o lirismo de suas páginas.
Imagino um João do Rio extemporâneo batendo à porta de um portal de notícias, com crônica caudalosa embaixo do braço. Passara a noite ao relento, colhendo impressões na sarjeta. Sem um gancho pontual, no entanto, sem link, A Alma Encantadora das Ruas, o seu trabalho mais conhecido, um clássico do jornalismo literário tupiniquim, permaneceria inédito para sempre.
Felizmente, João do Rio, Rubem Braga, Joel Silveira, o próprio Nelson Rodrigues, conheceram dias melhores, outro tempo, bateram ponto em redações bem fornidas, entupidas de profissionais de variada estirpe, suscetíveis a engenho e arte.


