Disposição para receber bem.
Uma crônica de Maceió
Publicado em 27 de fevereiro de 2025
Por Jornal Do Dia Se
Rian Santos – riansantos@jornaldodiase.com.br
Chego a Maceió, destino de tantos turistas. Chego e não percebo alusão aos pipocos do Carnaval. Toda a cidade vibra, no entanto. Não bastasse o azul caribenho do mar, o calor inclemente, há na capital das Alagoas uma notável disposição para receber bem.
Maceió, como eu a vejo, tão diferente de Aracaju, é uma cidade que se desfruta da porta pra fora, por assim dizer, nos espaços abertos. A orla repleta de gente, desde as primeiras horas do dia até tarde da noite, mesmo em plena terça-feira, acena à linha do horizonte, de uma ponta a outra, como a cumprimentar as primeiras caravelas e advertir sobre a enorme vastidão do mundo.
Aqui, caminho o tempo todo com os olhos bem abertos, ouço línguas e sotaques de lugares distantes. A cidade se expressa em idiomas e sabores muitos. Entro em um restaurante fino. Como bem, bebo melhor ainda, pago em moeda corrente e volto para o hotel com meus dois rins.
A comparação entre uma cidade e outra pode soar descabida, ir de encontro ao ufanismo vazio das peças publicitárias bancadas pelos entes públicos locais. Fala-se muito em sergipanidade, é verdade. Mas o grosso da grana passa longe da Mussuca, FASC e Xingó, nossas paisagens e valores mais genuínos. Investimento de verdade só se faz no Pré Caju.
Sim, padeço de uma espécie de bairrismo pelo avesso, uma perversidade derivada do apego aos fatos, uma deformação profissional. Amo Aracaju com todos os nervos, mas o meu afeto sincero não é correspondido. Nunca foi.