Uma escritora na ALA

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
A conversa correu a 
boca pequena. 
Quando Amaral Cavalcante resolveu se prestar ao beija mão que lhe rendeu uma vaga na Academia Sergipana de Letras, muita gente torceu para ele recusar a cadeira na qual trabalhou para se sentar. O poeta caiu em campo, pediu votos, moveria céus e terras para vestir o fardão, se tivesse poder para tanto. Além de tudo, era um escritor de verdade, cronista de mão cheia, capaz de cometer as maiores doçuras a partir de qualquer episódio ordinário. O título concedido em uma das cerimônias mais concorridas já promovidas pela tal Academia não lhe fazia favor nenhum.
Imortal de fato e de direito, o poeta pouco confraternizou com os confrades do Olimpo cartorial sediado na aldeia. Ciente de minhas reservas em relação ao proveito pouco de associação tão pomposa, certa vez me confessou, cheio de malícia: estava em falta com as mensalidades.
Segundo uma fonte idônea, completamente segura, acima de qualquer suspeita, a escritora Taylane Cruz deve se sentar à cadeira de nº 14 da Academia de Letras de Aracaju, que tem como patrono o poeta Mário Jorge. Com a morte de Ilma Fontes, a renovação se impõe. A moça já teria pelo menos vinte votos garantidos na algibeira.
Faço votos para que corra tudo bem e Taylane finalmente tome posse. Embora não tenha conhecimento de sua obra, uma falta assumida aqui de público, sei do seu empenho e dedicação a ofício tão ingrato, o sacerdócio da palavra. 
A César o que é de César, afinal. Amaral, Taylane, Pedro Bomba, Luis Eduardo Costa, Antonio Carlos Viana, Francisco Dantas, formam uma sociedade de letras alheia à burocracia, independente de poder político, são movidos por ambição diversa, assemelhada à fome. De posição e dinheiro, influência, empresas, negócios, entende o imortal Albano Franco.

Rian Santos

A conversa correu a  boca pequena.  Quando Amaral Cavalcante resolveu se prestar ao beija mão que lhe rendeu uma vaga na Academia Sergipana de Letras, muita gente torceu para ele recusar a cadeira na qual trabalhou para se sentar. O poeta caiu em campo, pediu votos, moveria céus e terras para vestir o fardão, se tivesse poder para tanto. Além de tudo, era um escritor de verdade, cronista de mão cheia, capaz de cometer as maiores doçuras a partir de qualquer episódio ordinário. O título concedido em uma das cerimônias mais concorridas já promovidas pela tal Academia não lhe fazia favor nenhum.
Imortal de fato e de direito, o poeta pouco confraternizou com os confrades do Olimpo cartorial sediado na aldeia. Ciente de minhas reservas em relação ao proveito pouco de associação tão pomposa, certa vez me confessou, cheio de malícia: estava em falta com as mensalidades.
Segundo uma fonte idônea, completamente segura, acima de qualquer suspeita, a escritora Taylane Cruz deve se sentar à cadeira de nº 14 da Academia de Letras de Aracaju, que tem como patrono o poeta Mário Jorge. Com a morte de Ilma Fontes, a renovação se impõe. A moça já teria pelo menos vinte votos garantidos na algibeira.
Faço votos para que corra tudo bem e Taylane finalmente tome posse. Embora não tenha conhecimento de sua obra, uma falta assumida aqui de público, sei do seu empenho e dedicação a ofício tão ingrato, o sacerdócio da palavra. 
A César o que é de César, afinal. Amaral, Taylane, Pedro Bomba, Luis Eduardo Costa, Antonio Carlos Viana, Francisco Dantas, formam uma sociedade de letras alheia à burocracia, independente de poder político, são movidos por ambição diversa, assemelhada à fome. De posição e dinheiro, influência, empresas, negócios, entende o imortal Albano Franco.

 

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