Uma experiência pessoal com Véio

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br 
Inaugurada ontem, a 
nova Galeria de Artes 
do SESC abriga uma mostra dedicada ao único artista sergipano com alguma projeção no circuito internacional, dominado por curadores com a boca repleta de palavras compridas a serviço de gente endinheirada. Em minha pobre experiência, no entanto, a boa notícia remete antes ao acervo do Espaço D’Época, sob a tutela da colecionadora Sayonara Viana. Lá, em São Cristóvão, eu pude ver de perto o trabalho de mestres de todos os tempos. Zé de Dome, J Inácio, Eurico Luiz, e por aí vai. Entre as peças mais preciosas da coleção, entretanto, destacam-se simples peças de madeira trabalhadas de maneira rudimentar. Um caso para estudo.
O hype criado em torno da assinatura de Véio, único dos nossos a romper a membrana do circuito internacional de arte, como já foi dito, está longe de fazer justiça à verdadeira potência de seu trabalho. Trata-se aqui do contato direto com o áspero singelo da matéria sertaneja. Foi o que lhe bastou para deixar geral de queixo caído.
De Nossa Senhora da Glória para o mundo. Não faltam razões para explicar tamanha curiosidade. O interesse pronunciado pelo material e o processo, por exemplo, além da diluição das fronteiras entre a arte popular e erudita, estão entre os dogmas cultivados pela crítica de agora. Convém sublinhar, contudo, o genuíno inconfundível no talho discreto de Véio e insistir numa interrogação já muito antiga: Quem, afinal de contas, autoriza o exercício artístico?
Uma questão de paradigmas. O status da arte sempre esteve subordinado ao pensamento dominante de uma determinada época. Não deixa de ser interessante, portanto, observar os valores aproximados em conflito com a abertura radical das práticas ora chanceladas pelos circuitos hegemônicos. Na melhor das hipóteses, os parâmetros em voga refletem o reconhecimento tardio das diversas regiões e sensibilidades à margem dos centros difusores. Caso único, Véio é também a possibilidade confirmada numa seara de muitos.

Rian Santos

Inaugurada ontem, a  nova Galeria de Artes  do SESC abriga uma mostra dedicada ao único artista sergipano com alguma projeção no circuito internacional, dominado por curadores com a boca repleta de palavras compridas a serviço de gente endinheirada. Em minha pobre experiência, no entanto, a boa notícia remete antes ao acervo do Espaço D’Época, sob a tutela da colecionadora Sayonara Viana. Lá, em São Cristóvão, eu pude ver de perto o trabalho de mestres de todos os tempos. Zé de Dome, J Inácio, Eurico Luiz, e por aí vai. Entre as peças mais preciosas da coleção, entretanto, destacam-se simples peças de madeira trabalhadas de maneira rudimentar. Um caso para estudo.
O hype criado em torno da assinatura de Véio, único dos nossos a romper a membrana do circuito internacional de arte, como já foi dito, está longe de fazer justiça à verdadeira potência de seu trabalho. Trata-se aqui do contato direto com o áspero singelo da matéria sertaneja. Foi o que lhe bastou para deixar geral de queixo caído.
De Nossa Senhora da Glória para o mundo. Não faltam razões para explicar tamanha curiosidade. O interesse pronunciado pelo material e o processo, por exemplo, além da diluição das fronteiras entre a arte popular e erudita, estão entre os dogmas cultivados pela crítica de agora. Convém sublinhar, contudo, o genuíno inconfundível no talho discreto de Véio e insistir numa interrogação já muito antiga: Quem, afinal de contas, autoriza o exercício artístico?
Uma questão de paradigmas. O status da arte sempre esteve subordinado ao pensamento dominante de uma determinada época. Não deixa de ser interessante, portanto, observar os valores aproximados em conflito com a abertura radical das práticas ora chanceladas pelos circuitos hegemônicos. Na melhor das hipóteses, os parâmetros em voga refletem o reconhecimento tardio das diversas regiões e sensibilidades à margem dos centros difusores. Caso único, Véio é também a possibilidade confirmada numa seara de muitos.

 

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