Rian Santos
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Repouso a vista cansada sobre uma xilogravura do mestre Anselmo Rodrigues, presente do curador e galerista Mario Brito. Alheia a minha rotina, a imagem me alegra.
Um dado de simplicidade transborda da gravura. Não me refiro apenas à técnica empregada pelo artista, os talhos feridos a golpes de goiva afiada numa superfície de madeira. Atenho-me, isso sim, à expressão tranquila dos personagens em pose de retrato. Ali, no espaço supra sensível delimitado pela moldura, tudo é muito quieto, o sossego governa.
As composições de Anselmo Rodrigues, um universo de contornos fortes e cores cruas, são povoadas por gente descalça e torço nu. Há homens e mulheres de modos modestos. Há, sobretudo, a algazarra dos meninos.
Adivinho, no conjunto da obra aqui em questão, um modo de ser e também de viver. O artista escolheu os humildes. E, assim, afirmo sem trocar uma palavra com o sujeito, a exemplo de outros mestres, despe-se de frescuras.
Anselmo Rodrigues é o grande nome na programação da 2ª Semana de Arte, Design e Arquitetura de Aracaju, junto a assinaturas incontornáveis, como Zé Fernandes, Zeus e Caã. Há, na curadoria de todo o evento, a presença notável de Mario Brito – Ele que, na primeira oportunidade, traz os maiores das artes plásticas ao nosso embrutecido convívio.


