A urna eletrônica completa 29 anos de existência neste 13 de maio de 2025, consolidando-se como um dos símbolos mais importantes da modernização do processo eleitoral no Brasil. Criado em 1996 pela Justiça Eleitoral, o equipamento surgiu como resposta direta a um histórico de fraudes que marcaram o sistema de votação manual brasileiro desde o período imperial.
Durante décadas, as eleições no Brasil foram marcadas por fraudes estruturais e recorrentes. Desde o Império, práticas como coação de eleitores, manipulação de cédulas, troca de urnas e inserção de votos falsos eram comuns. Essas ações faziam parte do embate político e envolviam o eleitor, o voto e o candidato.
Apesar de avanços institucionais, como a criação da Justiça Eleitoral, em 1932, foi somente com a informatização do processo eleitoral que o combate às fraudes ganhou eficiência real. A automação passou a ser fundamental para reduzir ao máximo a intervenção humana, principal fonte de erros, intencionais ou não.
Entre os tipos mais comuns de fraude durante a votação manual estavam:
Urna grávida ou emprenhada: cédulas preenchidas eram colocadas nas urnas antes do início da votação.
Substituição de urnas: urnas oficiais eram trocadas por outras com votos já inseridos.
Roubo de urnas: equipamentos eram roubados antes de chegar às seções, inviabilizando a votação.
Voto formiguinha: cédulas oficiais eram desviadas e reutilizadas para fraudar sucessivos votos.
Voto em estoque: cédulas do estoque de segurança eram preenchidas e inseridas indevidamente nas urnas.
Foi nesse contexto que a informatização do processo eleitoral se tornou inevitável. A urna eletrônica nasceu como uma resposta eficiente para eliminar essas fragilidades, garantindo mais segurança, rapidez e confiabilidade às eleições.
Em 1996, a Justiça Eleitoral implementou a urna eletrônica – uma inovação que transformou a votação no país. O primeiro modelo, o UE96, possuía teclado numérico semelhante ao de um telefone, com números em braile, além de impressora de votos. O equipamento foi utilizado em todas as capitais, exceto no Distrito Federal, e em 31 municípios com mais de 200 mil eleitores, atingindo cerca de 30% do eleitorado do país. O objetivo era claro: garantir maior celeridade, sigilo, segurança e eficiência, tanto na votação quanto na apuração.
A expansão foi rápida. Em 1998, a votação eletrônica ocorreu em 537 municípios com mais de 40 mil eleitores e, em 2000, o sistema passou a ser utilizado em todos os municípios brasileiros, informatizando completamente as eleições.
Urna eletrônica completa 29 anos como símbolo de inovação e segurança nas eleições brasileiras


