Usina Taquari usava trabalhadores como escravos na colheita de cana

Cândida Oliveira
 candidaoliveira@jornaldodiase.com.br

O Ministério Público do Trabalho (MPT) encontrou 45 pessoas em condição de escravidão na Usina Taquari, do povoado Miranda, no município de Capela (SE). O grupo foi localizado durante uma fiscalização realizada na quinta-feira, 25. Além do MPT, estavam na Usina a Polícia Federal, o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Capela e as Federações dos Trabalhadores da Agricultura (Fetag) de Alagoas e Sergipe.

De acordo com o procurador do trabalho, Manoel Adroaldo Bispo, os trabalhadores foram trazidos do estado de Alagoas e não tiveram a carteira assinada e nem recebiam salário. O procurador Chefe do Trabalho, Raymundo Ribeiro, também falou sobre o assunto. "O procurador Manoel Adroaldo Bispo estava verificando em Capela um outro assunto, a pulverização aérea dos canaviais, não apenas da Usina Taquari, mas de outras usinas também. Ao chegar lá o procurador foi comunicado pelos trabalhadores e sindicalistas que contaram da situação de trabalho degradante e aliciamento de trabalhadores".
Diante da constatação mais uma equipe da Procuradoria foi enviada ao local, além da Polícia Federal. "Colhemos depoimentos, fizemos filmagem e fotos da situação que os trabalhadores foram submetidos", relatou o procurador chefe.

De acordo com o procurador Manoel Adroaldo, as condições eram sub-humanas. "A água não era potável, não existiam cama, nem alimentação", detalhou. A Usina Taquari é reincidente em relação à matéria, pois já existem dois inquéritos civis com o mesmo caso. "Solicitamos a autoridade federal a instauração de inquérito policial, a esfera criminal vai atuar também, um diretor e um gerente foram conduzidos a Polícia Federal para prestar depoimento, bem como o aliciador José Carlos Barbosa de Lima, da cidade de Capela (AL). Esse rapaz arregimentou os trabalhadores das cidades de Capela, Atalaia e Pilar, todas localizadas em Alagoas", contou Raymundo Ribeiro.

O aliciador José Carlos Barbosa de Lima teria convidado os agricultores oferecendo todas as condições de trabalho adequadas e o pagamento de um salário mínimo. A proposta previa também a assinatura da carteira de trabalho dos homens que trabalhariam no plantio da cana de açúcar.

Empresa – O diretor executivo da Usina Taquari, Humberto Gonçalves, garantiu que a usina não tinha responsabilidade no tocante ao alojamento dos trabalhadores. "Foi deixado claro que a Usina não tinha responsabilidade alguma para alojamento, inclusive o termo que eles assinaram cita que não oferecemos alojamento". Ele também assegurou que não tinha conhecimento que os cortadores de cana de açúcar estavam enquadrados em situação irregular de trabalho semelhante ao trabalho escravo. Os trabalhadores foram conduzidos para um hotel.

Sindicato – A situação foi descoberta por meio de uma denúncia do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Capela (Sintag) de Alagoas. "Os trabalhadores entraram em contato pedindo ajuda. Eles contaram que foram convidados para trabalhar com carteira assinada, alimentação e alojamento, mas não tiveram nada disso, pois não recebiam dinheiro, e a comida era estragada e dormiam no chão", relatou o presidente Manoel Barnabé.

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