Valsa delirante

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Para ser sincero, che
guei a uma altura da 
vida quando é preciso se agarrar à esperança de qualquer espanto com unhas e dentes, como a uma tábua de salvação. À beira dos 40, as surpresas são eventos raros. O repertório acumulado à custa de tanto erro nas noites de insônia começa a saciar a fome de acontecimentos. Por vezes ocorre, no entanto, de as novidades anunciadas com a alegria própria dos mais novos despertarem uma emoção genuína. Aí, então, um jornalista tem gosto de berrar aos quatro ventos, com todas as letras, como faço agora: Prestem atenção no trabalho de Gabriel Viana.
‘Edifício futuro’, o vídeo clipe e a canção inédita da banda El Presidente, me fizeram recitar de novo os versos de Carlos Drummond de Andrade: Nunca me esquecerei desse acontecimento na vida de minhas retinas tão fatigadas. Ao invés da pedra que surpreendeu o poeta, contudo, tenho um marco sensível diante dos olhos e ouvidos despertos. Não conheço outro casamento tão perfeito entre música e imagem.
Para traduzir as sugestões de uma canção em termos visuais é preciso ter as manhas. E Gabriel já provou que as tem. Embora a linguagem do vídeo clipe tenha evoluído muito desde a criação da MTV, início dos injustiçados anos 80, quando a audiência era feliz e não sabia, o dito cujo tem se empenhado em desenvolver uma espécie de assinatura. É notável, por exemplo, como ele investe de maneira cada vez mais acertada em atmosfera e grafismo, um trabalho após o outro, culminando no impressionante ‘Edifício futuro’. Acachapante.
O andamento arrastado da canção e o timbre viajandão das guitarras não passaram despercebidos pelo diretor do clipe, que os transformou em valores imagéticos. Assim, o clima onírico da música (que, aliás, conta com a voz sempre bem colocada da menina Tori, em participação especial) descamba num realismo fantástico de cores sóbrias e ritmo bem marcado. A câmera como que dança com a banda e os personagens, uma valsa delirante.
Em conversa com o Jornal do Dia, Gabriel Viana falou do empenho pessoal nesta peça, o quanto há ali de si mesmo. Mas poderia ter se poupado de usar as palavras. Tudo o que havia para ser dito é comunicado em ‘Edifício futuro’. Pode até não ser uma profissão de fé, mas clipe e música recuperaram a crença de um jornalista aborrecido numa amiga de longa data, essa tal de novidade.

Para ser sincero, che guei a uma altura da  vida quando é preciso se agarrar à esperança de qualquer espanto com unhas e dentes, como a uma tábua de salvação. À beira dos 40, as surpresas são eventos raros. O repertório acumulado à custa de tanto erro nas noites de insônia começa a saciar a fome de acontecimentos. Por vezes ocorre, no entanto, de as novidades anunciadas com a alegria própria dos mais novos despertarem uma emoção genuína. Aí, então, um jornalista tem gosto de berrar aos quatro ventos, com todas as letras, como faço agora: Prestem atenção no trabalho de Gabriel Viana.
‘Edifício futuro’, o vídeo clipe e a canção inédita da banda El Presidente, me fizeram recitar de novo os versos de Carlos Drummond de Andrade: Nunca me esquecerei desse acontecimento na vida de minhas retinas tão fatigadas. Ao invés da pedra que surpreendeu o poeta, contudo, tenho um marco sensível diante dos olhos e ouvidos despertos. Não conheço outro casamento tão perfeito entre música e imagem.
Para traduzir as sugestões de uma canção em termos visuais é preciso ter as manhas. E Gabriel já provou que as tem. Embora a linguagem do vídeo clipe tenha evoluído muito desde a criação da MTV, início dos injustiçados anos 80, quando a audiência era feliz e não sabia, o dito cujo tem se empenhado em desenvolver uma espécie de assinatura. É notável, por exemplo, como ele investe de maneira cada vez mais acertada em atmosfera e grafismo, um trabalho após o outro, culminando no impressionante ‘Edifício futuro’. Acachapante.
O andamento arrastado da canção e o timbre viajandão das guitarras não passaram despercebidos pelo diretor do clipe, que os transformou em valores imagéticos. Assim, o clima onírico da música (que, aliás, conta com a voz sempre bem colocada da menina Tori, em participação especial) descamba num realismo fantástico de cores sóbrias e ritmo bem marcado. A câmera como que dança com a banda e os personagens, uma valsa delirante.
Em conversa com o Jornal do Dia, Gabriel Viana falou do empenho pessoal nesta peça, o quanto há ali de si mesmo. Mas poderia ter se poupado de usar as palavras. Tudo o que havia para ser dito é comunicado em ‘Edifício futuro’. Pode até não ser uma profissão de fé, mas clipe e música recuperaram a crença de um jornalista aborrecido numa amiga de longa data, essa tal de novidade.

 

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