Vazão continua reduzida

A Agência Nacional de Águas (ANA) decidiu manter reduzidas as vazões dos reservatórios de Sobradinho e de Xingó, no Rio São Francisco. A decisão se deve às poucas chuvas nos últimos anos, o que impacta os níveis de armazenamento dos reservatórios. Antes, as descargas mínimas instantâneas eram de 1,3 mil metros cúbicos por segundo. Ontem (1º), estavam em 900 metros cúbicos. A resolução com a decisão foi publicada na edição de ontem (1º) do Diário Oficial da União e tem validade até 20 de dezembro.

A redução das vazões de reservatórios do Rio São Francisco ocorre desde abril de 2013. Segundo a ANA, o objetivo é manter os estoques de água para o uso múltiplo. Sobradinho e Xingó, por exemplo, são usados na produção de energia nas usinas hidrelétricas que levam o mesmo nome dos reservatórios. Sobradinho fica na Bahia e Xingó, na divisa entre Sergipe e Alagoas. A agência estima que, caso a medida não tivesse sido tomada, o sistema da Bacia do São Francisco operaria no volume morto desde 2014.

Até o último dia 29, Sobradinho contava com apenas 1,28% de seu volume útil. A previsão de chuva nos próximos dias no norte de Minas Gerais, onde fica a nascente do São Francisco, pode mudar o cenário. No entanto, caso as precipitações não sejam suficiente para melhorar a carga de água, a tendência é a vazão do reservatório passar para 800 metros cúbicos por segundo. A nova redução é um pedido do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). No próximo dia 15, haverá reunião sobre a situação da Bacia do São Francisco em que essa proposta será avaliada.

A medida é uma confirmação do que se discutiu na última reunião de avaliação dos efeitos da vazão reduzida, realizada na sede da ANA, em Brasília (DF), no dia 25 de novembro. No entanto, o indicativo de uma defluência ainda menor causa preocupação ao Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco. O presidente do colegiado, Anivaldo Miranda, sempre tem se colocado crítico da medida.

O secretário executivo do CBHSF, Maciel Oliveira, argumenta que a possível redução na vazão causará impactos ambientais e econômicos ainda maiores para o rio. Ele lembra que o exato período em que se projeta a vazão de 800m³/s coincide com o da piracema, ou seja, época em que os peixes sobem os rios até suas nascentes para desovar. "Nesse período, os peixes precisam de mais água. Se recebem menos, a reprodução cai muito. Será mais um problema social para os pescadores, que podem ficar praticamente sem pescar", alerta.

Ele adianta que as representações dos pescadores em Alagoas devem se articular para cobrar dos responsáveis uma saída para o problema. Maciel Oliveira também lembra que todos os anos, no início de janeiro, acontece em Penedo (AL) a festa de Bom Jesus dos Navegantes. "Com essa vazão, fica impossível haver festa", teme, lembrando que programação conta com uma tradição de 135 anos. (Agência Brasil)

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