Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
A Venezuela sumiu do
mapa. Até outro dia,
a ferida aberta ao sul do equador merecia a atenção de todos os brasileiros. Os alinhados à direita alertavam sobre os perigos de vida e morte do populismo. Os partidários da esquerda insistiam na aliança histórica com o chavismo, apontando o dedo gordo para o imperialismo ianque. Alheia a uns e outros, a população governada com mão de ferro perdia peso, morria de fome.
Reminiscências de uma vida passada. A tensão na fronteira arrefeceu, soldados e tanques retornaram às ruas e quartéis. Para todos os efeitos, com exceção de uma notícia aqui, outra ali, não há mais Venezuela. Ninguém diz uma palavra sobre os abusos cometidos pelo regime de Maduro. Tudo indica, o País inteiro afundou em petróleo.
De uma hora para outra, a Venezuela virou um problema exclusivo dos venezuelanos, gente como o fotógrafo Cao Sanchez, sem outra alternativa além de encarar o fogo cruzado de peito aberto, as mãos erguidas entre o autoritarismo e a carência absoluta de recursos, as prateleiras vazias. Lá, higiene é uma questão de classe.
Em uma série recente de fotografias, Sanchez surpreende os venezuelanos abastados ostentando produtos importados: creme dental, detergente, café em pó. Os venezuelanos bem de vida, profissionais liberais com dinheiro no banco, recorrem a empresas transportadoras com atuação internacional para encher as despensas. A imagem não choca, como as costelas à mostra de uma criança esquálida. Mas, ainda assim, denuncia o silêncio cúmplice da comunidade internacional. Em qualquer circunstância, os bem aquinhoados tomam banho, uma exigência da paz social.
Não é fato vulgar, uma país sumir do mapa, em um passe de mágica. Os grandes feitos de Houdini não puderam tanto. Vinte e oito milhões de pessoas viraram fumaça. Sobre o grande vazio cartográfico na cabeceira da América do Sul resta agora a má consciência do mundo civilizado.
A Venezuela sumiu do mapa. Até outro dia, a ferida aberta ao sul do equador merecia a atenção de todos os brasileiros. Os alinhados à direita alertavam sobre os perigos de vida e morte do populismo. Os partidários da esquerda insistiam na aliança histórica com o chavismo, apontando o dedo gordo para o imperialismo ianque. Alheia a uns e outros, a população governada com mão de ferro perdia peso, morria de fome.
Reminiscências de uma vida passada. A tensão na fronteira arrefeceu, soldados e tanques retornaram às ruas e quartéis. Para todos os efeitos, com exceção de uma notícia aqui, outra ali, não há mais Venezuela. Ninguém diz uma palavra sobre os abusos cometidos pelo regime de Maduro. Tudo indica, o País inteiro afundou em petróleo.
De uma hora para outra, a Venezuela virou um problema exclusivo dos venezuelanos, gente como o fotógrafo Cao Sanchez, sem outra alternativa além de encarar o fogo cruzado de peito aberto, as mãos erguidas entre o autoritarismo e a carência absoluta de recursos, as prateleiras vazias. Lá, higiene é uma questão de classe.
Em uma série recente de fotografias, Sanchez surpreende os venezuelanos abastados ostentando produtos importados: creme dental, detergente, café em pó. Os venezuelanos bem de vida, profissionais liberais com dinheiro no banco, recorrem a empresas transportadoras com atuação internacional para encher as despensas. A imagem não choca, como as costelas à mostra de uma criança esquálida. Mas, ainda assim, denuncia o silêncio cúmplice da comunidade internacional. Em qualquer circunstância, os bem aquinhoados tomam banho, uma exigência da paz social.
Não é fato vulgar, uma país sumir do mapa, em um passe de mágica. Os grandes feitos de Houdini não puderam tanto. Vinte e oito milhões de pessoas viraram fumaça. Sobre o grande vazio cartográfico na cabeceira da América do Sul resta agora a má consciência do mundo civilizado.