Carolina Gonçalves
Agência Brasil
O vice-líder do governo na Câmara dos Deputados, Sílvio Costa (PSC-PE), informou ontem que pedirá o afastamento temporário de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) do cargo de presidente da Casa. Segundo ele, Cunha não tem condições morais de continuar no comando da Câmara.
Costa explicou que, neste caso, atuará como parlamentar, e não como vice-líder do governo. O afastamento seria enquanto durarem as investigações da Operação Lava Jato, em que Cunha teve o nome envolvido, disse o vice-líder do governo. "Do ponto de vista legal, Cunha tem a seu favor a presunção da inocência, mas, do moral, perdeu as condições de ocupar a
Em uma avaliação preliminar sobre as declarações de Cunha, o líder do governo no Senado, Delcídio do Amaral (PT-MS), disse à Agência Brasil que a opinião do presidente da Câmara não pode ser confundida com a do PMDB.
"Pelo que eu senti, é uma decisão pessoal, que a gente precisa respeitar. Uma coisa é ele ter tomado uma decisão pessoal; outra coisa é um posicionamento do PMDB, que é algo muito maior. O PMDB tem muitos líderes, tanto na Câmara quanto no Senado e tem o vice-presidente da República [ Michel Temer], que é o grande líder do PMDB, além de ser o presidente do partido também", afirmou Delcídio.
Em nota, a presidência do PMDB informou que a manifestação de Cunha é "a expressão de uma posição pessoal" respeitada pelo partido e informou que qualquer decisão partidária só pode ser tomada "após consulta às instâncias decisórias do partido: Comissão Executiva Nacional, Conselho Político e Diretório Nacional".
A bancada do PSOL também divulgou nota em que defende o afastamento de Cunha. Para o partido, as denúncias contra Cunha e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) não configuram "ataque ao Congresso Nacional". "Cada parlamentar e seu partido têm que responder pelas acusações que eventualmente sofram. Eduardo Cunha não tem direito de confundir suas posições e ódios com a função que ocupa institucionalmente de presidente da Câmara dos Deputados. A confusão deliberada que Cunha produz, à guisa de defesa, evidencia sua incompatibilidade entre a função de presidente da Casa, que exige equilíbrio e postura de magistrado, e a condição de investigado na Operação Lava Jato."
O Solidariedade reafirmou, em nota, apoio a Eduardo Cunha. "O Solidariedade foi um dos principais fiadores da sua candidatura à presidência da Câmara e afirma que, nestes cinco meses, ele comandou a Casa de maneira absolutamente democrática e transparente. E não será uma denúncia sem qualquer tipo de prova que irá abalar a nossa confiança em seu trabalho. Nada mais correto do que se afastar de um governo trapalhão, incompetente e que apaga fogo com gasolina", diz a nota, assinada pelo presidente do partido e deputado federal por São Paulo, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força.

