Vida longa para Gilberto Gil

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
A programação do 
Fasc está repleta de 
atrações imperdíveis. The Baggios, Liniker, Sandyalê e Taco de Golfe, para citar apenas as preferências da casa. O grande momento da festa promovida pela Prefeitura de São Cristóvão, no entanto, será mesmo a apresentação de Gilberto Gil. Não é todo dia que a realeza da Música Popular Brasileira está entre nós,  canta para a alegria dos pobres mortais.
Gilberto Gil caminha para completar 80 anos. Que seja ainda celebrado, cheio de vida, em quadra já tão distante do auge criativo, quando se uniu ao mano Caetano para virar tudo de cabeça pra baixo, é revelador do tanto feito ao respirar os vapores da contra cultura, assoprando fumaça e acordes de inflexão roqueira no ambiente careta do cercado tupiniquim. Depois de uma estapafúrdia passeata contra a guitarra elétrica (!), surgia o tropicalismo. E, no rastro do movimento, um bom bocado dos discos fundamentais na compreensão da sensibilidade nacional.
João Gilberto e Jimi Hendrix; Carmem Miranda mais Andy Warhol. O grande trunfo destes doces bárbaros foi a disposição para o sacrilégio. Ao sentimento conservador de um nacionalismo tacanho, também por eles exaltado, foi acrescentada uma abertura tardia à cultura de massas, contaminada de ícones então identificados com o imperialismo americano. Produto de tal ambivalência, nunca mais fomos os mesmos.
Um passo à frente, dois passos atrás. Hoje, mais do que nunca, é importante celebrar Gilberto Gil. Surtos cristalizados na face odienta e caricata de Bolsonaros e Trumps, estranhos às condições materiais fornecidas pela facilidade de informação, derivada da tecnologia, pipocam aqui e ali, alheios à experiência acumulada até agora, como se não houvesse versos dando ciência de vastidões e além. Povoado de medo, o mundo de hoje sublinha fronteiras e tranca a chave as suas portas, não toma as dores de mais ninguém. 
A música de Gil e Caetano (impossível mencionar um sem pensar no outro), ao contrário, é mão estendida, oferecendo conforto, um gesto ideal de solidariedade. ‘Parabolicamará’, ‘Banda larga de cordel’, ‘It’s a long way’, mais a fortuna crítica reunida no ‘Paraíso Tropical’ de Caetano, passando a história a limpo, afirmam e reafirmam a brevidade das verdadeiras distâncias e o lugar Brasil no mundo – um pedaço idílico, miscigenado e antropofágico, com os perfumes e as cores da Bahia.
Tudo em seu tempo (Oh, Tempo-Rei!). Em post publicado no canal oficial do artista, no Facebook, à época de seus 75 anos, Gilberto Gil dá um testemunho de confiança nos ponteiros aparentemente desorientados dos relógios.
"Vendo o panorama geral da minha vida, eu fiz tudo para ser quem eu sou, para estar no lugar em que estou e sentir a vida  de modo a estar em conformidade com ela. É o que sempre digo: a conformidade conforme a idade. Tenho a idade que tenho hoje e uma vida em conformidade com ela".

A programação do  Fasc está repleta de  atrações imperdíveis. The Baggios, Liniker, Sandyalê e Taco de Golfe, para citar apenas as preferências da casa. O grande momento da festa promovida pela Prefeitura de São Cristóvão, no entanto, será mesmo a apresentação de Gilberto Gil. Não é todo dia que a realeza da Música Popular Brasileira está entre nós,  canta para a alegria dos pobres mortais.
Gilberto Gil caminha para completar 80 anos. Que seja ainda celebrado, cheio de vida, em quadra já tão distante do auge criativo, quando se uniu ao mano Caetano para virar tudo de cabeça pra baixo, é revelador do tanto feito ao respirar os vapores da contra cultura, assoprando fumaça e acordes de inflexão roqueira no ambiente careta do cercado tupiniquim. Depois de uma estapafúrdia passeata contra a guitarra elétrica (!), surgia o tropicalismo. E, no rastro do movimento, um bom bocado dos discos fundamentais na compreensão da sensibilidade nacional.
João Gilberto e Jimi Hendrix; Carmem Miranda mais Andy Warhol. O grande trunfo destes doces bárbaros foi a disposição para o sacrilégio. Ao sentimento conservador de um nacionalismo tacanho, também por eles exaltado, foi acrescentada uma abertura tardia à cultura de massas, contaminada de ícones então identificados com o imperialismo americano. Produto de tal ambivalência, nunca mais fomos os mesmos.
Um passo à frente, dois passos atrás. Hoje, mais do que nunca, é importante celebrar Gilberto Gil. Surtos cristalizados na face odienta e caricata de Bolsonaros e Trumps, estranhos às condições materiais fornecidas pela facilidade de informação, derivada da tecnologia, pipocam aqui e ali, alheios à experiência acumulada até agora, como se não houvesse versos dando ciência de vastidões e além. Povoado de medo, o mundo de hoje sublinha fronteiras e tranca a chave as suas portas, não toma as dores de mais ninguém. 
A música de Gil e Caetano (impossível mencionar um sem pensar no outro), ao contrário, é mão estendida, oferecendo conforto, um gesto ideal de solidariedade. ‘Parabolicamará’, ‘Banda larga de cordel’, ‘It’s a long way’, mais a fortuna crítica reunida no ‘Paraíso Tropical’ de Caetano, passando a história a limpo, afirmam e reafirmam a brevidade das verdadeiras distâncias e o lugar Brasil no mundo – um pedaço idílico, miscigenado e antropofágico, com os perfumes e as cores da Bahia.
Tudo em seu tempo (Oh, Tempo-Rei!). Em post publicado no canal oficial do artista, no Facebook, à época de seus 75 anos, Gilberto Gil dá um testemunho de confiança nos ponteiros aparentemente desorientados dos relógios.
"Vendo o panorama geral da minha vida, eu fiz tudo para ser quem eu sou, para estar no lugar em que estou e sentir a vida  de modo a estar em conformidade com ela. É o que sempre digo: a conformidade conforme a idade. Tenho a idade que tenho hoje e uma vida em conformidade com ela".

 

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