Gabriel Damásio
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Um vigilante foi baleado por volta das 11h de ontem, depois de reagir a uma tentativa de assalto ocorrida dentro do Centro de Educação e Tecnologia (CETCC) do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), na Rua Propriá, centro da capital. Segundo a polícia, um homem que entrou no local vestindo um uniforme da instituição e tentou roubar um revólver do segurança, que tentou sacar a arma e foi atingido com um tiro no ombro. João Alencar Santos, 45 anos, que trabalha para a empresa terceirizada de vigilância Guardiã, foi socorrido por alunos e por um taxista que o levou ao Hospital de Urgência de Sergipe (Huse). De acordo com a assessoria do Senai, ele foi medicado, recebeu alta no fim da tarde e, apesar de ter uma bala alojada nas costas, não corre riscos e passa bem.
O autor do crime, identificado como Alexsandro Silva Evangelista, 25 anos, conseguiu fugir correndo, mas foi localizado na Avenida Desembargador Maynard, próximo à sede do Instituto Federal de Sergipe (IFS), e preso por soldados do Batalhão de Polícia de Radiopatrulha (BPRp), que já tinham sido avisados do assalto pelo Centro Integrado de Operações em Segurança Pública (Ciosp). Ele estava armado com um revólver calibre 38, com o qual ele tentou render o vigilante. De acordo com o soldado Igor Cristian, que participou da prisão, o acusado não conseguiu levar a arma de Alencar. Ele informa também que Alexsandro foi prontamente reconhecido pela vítima e por outras testemunhas do assalto frustrado.
Ao ser preso, Evangelista admitiu que queria roubar a arma do vigilante e que comprou a outra arma na chamada "Feira das Trocas", no bairro Capucho (zona oeste), ao preço de R$ 2 mil, para uso pessoal. No entanto, a Polícia Militar suspeita que este revólver pode ter sido roubado de um vigilante que trabalhava no Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher (Caism), também no Capucho, no último dia 3. Na ocasião, a vítima chegou a ser agredida. O preso foi levado para a 2ª Delegacia Metropolitana (2ª DM), que o autuou em flagrante e investigará o caso.
Um colega do vigilante ferido, Edmilson Souza, descreve que não teve como barrar o suspeito, pelo fato de ele ter se passado como aluno. "Ele entrou fardado, normal. Como a ordem aqui é não abordar quem está vestido de aluno [uniformizado], ele passou normal e foi lá pro fundo. Quando foi depois, escutei o barulho e vi um colega como se estivesse chorando, dizendo que alguém foi atingido. Ele levou vantagem porque não estava identificado como vagabundo", contou, em entrevista à Rádio Cultura. Ainda segundo Edmilson, é a primeira vez que acontece um incidente do tipo no CETCC, mas alguns suspeitos já tentaram roubar as armas dos vigilantes em períodos da noite e final de semana – e nunca conseguiram.
A dúvida maior da polícia é saber como Alexsandro conseguiu o uniforme do Senai para entrar no prédio, onde são realizadas as inscrições para os cursos profissionalizantes e aulas de algumas especialidades. De acordo com a assessoria de imprensa da instituição, o acusado nunca foi aluno de qualquer unidade do Senai e pode ter conseguido a farda com alguém que já tenha passado por lá. Todos os anos, o serviço atende uma média de 20 mil pessoas. A direção do Senai deverá discutir e avaliar o que pode ser melhorado em seus procedimentos internos de segurança.


