Vigilante é executado em assalto a ponto bancário

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

Um violento assalto ao Ponto Banese da cidade de Salgado (Centro-Sul) terminou com a morte do vigilante Wagner dos Santos Chagas, 25 anos, que trabalhava para a empresa Sacel e foi executado com dois tiros na cabeça. O crime foi cometido às 9h15 de ontem por três homens e uma mulher que tentaram roubar dinheiro do correspondente bancário e trocaram tiros com a vítima. Duas horas depois, a Polícia Militar localizou o grupo na rodovia SE-214, altura do povoado Sapé, em Itaporanga D’Ajuda (região Sul). Três suspeitos foram presos: um adolescente de 17 anos, Cinthia Santos Souza, 26, e Marcos Michel Santos Ferreira, 18, apontado como o autor dos tiros que mataram o vigilante.

Segundo testemunhas, o assalto ocorreu em pleno horário de expediente, na presença de vários clientes. Toda a ação foi registrada pelo circuito interno de TV da unidade. Três homens armados chegaram ao local em duas motos roubadas e, dois deles entraram na agência. Com eles estava a mulher, Cíntia, que entrou um tempo antes para guiar os criminosos e desviar a atenção do vigilante. Wagner, que vigiava a porta e usava um colete à prova de balas, percebeu a presença dos bandidos e reagiu, dando início ao tiroteio.

"No momento da abordagem, um criminoso estava no interior da agência e outro veio da rua. Assim que ele colocou a mão na cintura para sacar o revólver, o vigilante percebeu essa ação e, ao sacar o revólver para atingir o assaltante que estava lá fora, o comparsa que estava dentro da agência efetuou o disparo no vigilante. O outro atirou do lado de fora e quebrou a vidraça da agência. E o vigilante, mesmo caído no chão, continuou atirando, mas infelizmente veio a óbito", narra o delegado Clever Farias, da Delegacia de Polícia de Salgado. A polícia apurou que dois tiros acertaram o ombro de Wagner quando os bandidos entraram, e que os outros dois foram dados na cabeça por Michel, no instante em que este saía do banco.

Os bandidos fugiram levando o revólver do vigia e duas bolsas de clientes que aguardavam atendimento. Segundo o delegado, eles desistiram de ir ao cofre e aos caixas do Ponto Banese por causa do nervosismo causado pelo tiroteio. O pânico se espalhou por todo o centro de Salgado e a reação da polícia foi imediata.

Assim que a ocorrência chegou ao Centro Integrado de Operações em Segurança Pública (Ciosp 190), equipes do 7º Batalhão de Polícia Militar (7º BPM) e do Grupamento de Ações Táticas do Interior (Gati) começaram um grande cerco nas cidades da região, com reforço de helicópteros do Grupamento Tático Aéreo (GTA) e de delegacias da Polícia Civil.

O chefe do setor de relações-públicas da PM, tenente-coronel Marcony Cabral, destacou que as características dos assaltantes foram passadas ao Ciosp de forma precisa e detalhada, o que permitiu a posterior localização da quadrilha na SE-214. "Houve perseguição até o povoado Sapé, em Itaporanga, onde os três foram capturados em duas motocicletas – uma Honda Fan e uma Yamaha YBR, portando quatro revólveres calibre 38 e duas bolsas roubadas", explicou Marcony. As motos, respectivamente de placas NVJ-8314/SE e IAE-7034/SE, foram roubadas no início desta semana.

Mais assaltos – O quarto envolvido no crime de Salgado se escondeu em um matagal e não foi preso até a noite de ontem, mas já foi identificado pela Polícia Civil: é Adriano Bento da Silva, 28, foragido da Penitenciária Estadual de Areia Branca (Peab). Ele foi atingido em um dos braços durante a troca de tiros com Wagner, ainda em Salgado. Os quatro acusados e outros dois suspeitos foram reconhecidos em outros assaltos a lojas, pedestres e correspondentes bancários investigados há pelo menos seis meses por várias delegacias. Um dos casos foi o assalto ocorrido anteontem em um Ponto Banese do Cj. Augusto Franco (zona sul da capital), onde a quadrilha tentou roubar o cofre da unidade – e não conseguiu, por conta do sistema de vigilância.

Além das imagens do circuito interno de TV das unidades do Banese, a ação dos integrantes da quadrilha pode ser provada pela polícia com as quatro armas achadas em Itaporanga, pois todas foram roubadas de vigilantes em outros assaltos. "Estamos colhendo mais provas, mas já temos certeza do envolvimento deles em diversos crimes. Todas as quatro armas apreendidas foram tomadas de vigilantes, inclusive da desta quarta-feira, depois que eles executaram o Vagner já ferido no chão. Uma das motocicletas usadas nos crimes foi roubada na segunda-feira, no interior do estado", revelou o diretor do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), Everton Santos, ao estimar que pelo menos 10 assaltos recentes tiveram o envolvimento dos acusados.

O delegado do Cope confirmou ainda que os assaltantes agiram sob efeito de drogas e costumavam roubar para sustentar o vício e pagar dívidas de traficantes. "Eles sempre agiam rendendo vigilantes e subtraindo pequenas quantias. São pessoas viciadas em drogas, nômades e que vivem debaixo de pontes ou no meio da rua. Assaltam justamente para manter o vício que possuem em drogas e álcool", comenta Everton, acrescentando que o uso de drogas servia aos assaltantes para aumentar a euforia e a disposição para possíveis confrontos com a polícia. Os envolvidos nos crimes podem ser indiciados nos crimes de roubo, latrocínio, formação de quadrilha e porte ilegal de arma.

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