Vistoria nos destroços da Coroa do Meio ainda não acabou

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Membros da comissão técnica que investiga as causas do desabamento de um prédio residencial de cinco andares na Coroa do Meio, zona sul de Aracaju, voltaram a intensificar as fiscalizações na rua Poeta José Sales de Campos. Conforme previsto pelos profissionais, a meta é realizar de forma gradativa um estudo minucioso quanto aos principais fatores que resultaram na morte de uma criança de 11 meses, e os possíveis danos causados em imóveis instalados em um raio de até 100 m2. O colapso estrutural foi realizado por volta das 2h do ultimo dia 19, e desde então os peritos analisam os tipos de materiais de construção utilizados na obra que, por registro junto a Prefeitura de Aracaju, deveria ter quatro pavimentos.

Paralelo ao trabalho de fiscalização da comissão comandada pelo Conselho Regional de Engenharia (Crea), corre em segredo de justiça uma ação civil que indica a construção de mais quatro empreendimentos do mesmo proprietário, na qual estariam sendo erguidos com os mesmos critérios do que desmoronou, ou seja, sem a presença de um engenheiro especializado acompanhando todo o processo de construção. Pela Empresa Municipal de Obras e Urbanismo (Emurb) foi oficializado que todos os documentos exigidos pelo órgão estavam integralmente legais. Estes recém citados empreendimentos também estariam com todos os pré requisitos normalizados.

Para o membro do Conselho Regional de Arquitetura (CAU), Cristiano Pacheco, é preciso que haja uma investigação a fim de saber os reais motivos que teriam ‘afastado’ o engenheiro que assinou o projeto inicial. Para o especialista, além da ausência de um profissional no ramo da engenharia civil, faltou fiscalização na construção iniciada em meados de 2012. "Isso mostra que o mundo real da vida nessas construções está fora do controle de todos os órgãos técnicos, acontece aí de forma desordenada com esses riscos que pode ser maior do que foi divulgado", disse.

Presente nos momentos sucessores ao colapso, Pacheco voltou a afirmar sobre a importância do conselho de arquitetos na região do sinistro com o propósito de saber se havia algum projeto com a assinatura de profissional da área. "Se realmente esse quinto pavimento existia é preciso deixar claro que esse pode ter sido um dos principais motivos do desabamento porque a carga seria entre 20% e 25% a mais do permitido. Pela complexidade do acidente acho que a fiscalização deve durar mais de 30 dias", pontuou.

Legitimidade – Previsto em lei, todos os imóveis dessa grandiosidade necessitam de um Registro de Responsabilidade Técnica (RRT), que deve ser assinado por um arquiteto, um engenheiro, e pelo cliente responsável pela contratação dos profissionais. Em caso de sinistros é preciso analisar o motivo da ausência do engenheiro, já que um fica responsável pela criação do projeto e o outro pela execução da obra. A direção do Conselho de Engenharia informou que não foi comunicada pelo profissional quanto ao respectivo afastamento do serviço em virtude de um possível atraso salarial. Além do Crea e CAU, agentes do Corpo de Bombeiros Militar, Defesa Civil e Emurb permanecem realizando perícias.

Para o petroleiro aposentado Antônio Fernando, morador da Coroa do Meio há mais de 20 anos, caso as informações enaltecendo a irregularidade em mais quatro empreendimentos seja verídica, é preciso que os órgãos competentes articulem vistorias imediatas com o objetivo de evitar novas fatalidades. "Se isso realmente for verdade, tem que mandar demolir todos esses prédios assim como fez a justiça de Minas Gerais que mandou demolir todo o viaduto que teve uma parte desabada. Não podemos viver nessa incerteza de segurança e esperar o pior sem fazer nada. A justiça é mais que fundamental nesse momento", avaliou.

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