Zé de Porcino: o legado de um visionário na história de Estância

(Álbum de família)
* Ítalo Augusto
Há 70 anos, Estância se despedia de um de seus nomes mais marcantes. Nesta terça-feira, 17 de março de 2026, a data relembra a partida de José Rodrigues de Oliveira, o popular Zé de Porcino, figura que deixou profundas marcas na história política, social e econômica do município. Mais do que um personagem de seu tempo, ele se consolidou como símbolo de uma geração que ajudou a construir os caminhos de Estância no século XX.
Nascido em 22 de setembro de 1885, Zé de Porcino construiu uma trajetória pautada pela liderança, influência e participação ativa na vida pública. Ao longo de sua caminhada, destacou-se como vereador e também como delegado de polícia, exercendo funções que o colocaram no centro das decisões e dos acontecimentos mais relevantes da cidade. Sua atuação refletia não apenas compromisso político, mas também presença constante no cotidiano da população.
Filiado à União Democrática Nacional (UDN), Zé de Porcino foi protagonista em um período marcado por intensas disputas políticas. Nesse cenário, consolidou-se como uma liderança respeitada, reconhecida tanto por aliados quanto por adversários. Paralelamente à vida pública, também se destacou como capitalista e agricultor, demonstrando um perfil empreendedor e multifacetado, capaz de transitar entre diferentes esferas da sociedade com naturalidade e influência.
Um dos episódios mais emblemáticos de sua trajetória foi a grandiosa celebração de seu aniversário em seu palacete, localizado na Praça Humaitá. O evento reuniu autoridades e membros da sociedade estanciana, evidenciando o prestígio que possuía. Entre os presentes estava o então governador de Sergipe, Leandro Maciel. A programação incluiu churrasco ao som da banda da Polícia Militar e da Recreio Estanciano, missa em ação de graças na Igreja Matriz e um banquete que atravessou a madrugada, marcado por discursos que destacavam sua lealdade política e sua relevância social.
Na vida pessoal, Zé de Porcino foi casado com Dona Raimunda Rodrigues Oliveira, com quem construiu sua família. Teve duas filhas: Aliete Oliveira Andrade, residente em Aracaju, e Alinete Oliveira Soares, casada com Nivaldo Silveira Soares. O legado familiar também se mantém presente na vida pública do município. A vereadora Alinete Soares, sua neta, representa a continuidade dessa história, carregando consigo não apenas o nome, mas a tradição de participação política. Um detalhe simbólico reforça essa ligação entre gerações: Alinete nasceu no mesmo período em que Zé de Porcino faleceu, um marco que muitos interpretam como a continuidade de um legado que atravessa o tempo.
A memória de Zé de Porcino também é preservada por familiares, como o sobrinho Fábio Francão, além de outros descendentes que mantêm viva a história e a importância de seu nome para Estância. Esse esforço de preservação reforça o papel da memória como elemento fundamental na construção da identidade de um povo.
Outro ponto relevante de sua trajetória envolve um importante patrimônio histórico da cidade: a atual Casa Episcopal de Estância. O imóvel, que teria pertencido originalmente a Zé de Porcino, foi posteriormente adquirido pela Igreja Católica, tornando-se parte significativa da história arquitetônica e cultural do município. Esse detalhe evidencia como sua presença também se estendeu ao espaço físico da cidade, deixando marcas que ultrapassam gerações.
Décadas após sua partida, Zé de Porcino continua sendo lembrado como um homem à frente de seu tempo. Sua história reúne elementos de liderança, empreendedorismo e influência social, características que o consolidam como uma das figuras mais relevantes da história estanciana. Seu nome permanece vivo não apenas nos registros históricos, mas na memória coletiva de uma cidade que reconhece a importância daqueles que ajudaram a construir seu passado.
A construção deste resgate histórico contou com a colaboração do bisneto Manuel Mendonça (Neco) e de Itallo Baptista, que contribuíram para reunir informações e preservar a memória de uma trajetória que segue inspirando gerações.
* Ítalo Augusto é publicitário
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