* Rômulo Rodrigues
A data de hoje nos remete a um pesadelo de 50 anos atrás, quando em 1º de Abril de 1964, dia da mentira, as forças conservadoras civis e os militares reacionários deram um golpe de estado e implantaram uma ditadura militar sangrenta que durou 21 anos, deixando um rastro de prisões, torturas e mortes que nunca será apagado da lembrança dos que lutaram e lutam por um Brasil livre e soberano.
O que levou essas forças do mal a derrubarem um presidente eleito pelo voto direto da imensa maioria do eleitorado – Jango foi eleito vice-presidente numa eleição em que o vice era votado separado do presidente – e substituiu Jânio após sua renúncia.
O Presidente Jango foi deposto por que queria implantar no País as seguintes reformas de base: 1) Reforma Agrária; 2) Reforma Eleitoral; 3) Reforma Tributária e 4) Reforma Financeira.
O golpe foi dado para reordenar o sistema capitalista brasileiro que se sentia ameaçado com os avanços proposto pelo governo Jango e teve como fim intensificar o modelo de Economia concentrada pela associação do capital industrial, agrário e financeiro. A deposição de Jango obedeceu não só à reconquista do estado para atender os desejos do Capital, foi também para aniquilar toda a organização do movimento de massas que existia no País.
Outra herança maldita deixada pela Ditadura Militar ao País foi o aperfeiçoamento da Corrupção. Não precisa ir muito longe para descobrir que toda corrupção existente nos últimos 50 anos foi gestada, nascida e desenvolvida por filhotes e descendente da ditadura militar. É só puxar pela memória.
A reforma agrária defendida pelo Presidente Goulart previa desapropriações em todas as propriedades acima de 500 hectares, em áreas às margens das Rodovias e Ferrovias e de Açudes e Barragens Federais o que contrariava os latifundiários e seus aliados na Imprensa, na Igreja Católica, na Indústria, nos Bancos e no Congresso Nacional.
Comparando com hoje, aquela Reforma Agrária, era muito mais avançada e com certeza, seu brecamento jogou o Brasil num atraso de 50 anos. A classe média daquela época foi quem mais perdeu por ouvir o canto da Sereia golpista de então, como a de hoje perde por ouvir o mesmo canto.
A reforma política tinha conteúdo assustador para as classes dominantes porque impediria o financiamento das campanhas por dinheiro vindo do estrangeiro. Melhor dizendo: Na eleição para o congresso de 1962 o IBAD, Instituto Brasileiro de Ação Democrática, recebeu da Embaixada americana a quantia de 5 milhões de dólares para financiar campanhas e eleger deputados Federais e Senadores que fizessem oposição a Jango e fossem contra as reformas. A Embaixada também recebia dinheiro do governo e bancos americanos para financiar jornais, revistas, programas de Rádio e Jornalistas para noticiarem fatos negativos do Brasil e do Governo. Isso acontece nos dias atuais, só que com outros nomes. Além das reformas, sofriam ataques constantes o aumento do Salário Mínimo e a Petrobrás.
No mês de março de 1964, os barões da imprensa intensificaram a campanha e um programa de Rádio foi criado com o apoio de Roberto Marinho, de O Globo, Nascimento Brito, do Jornal do Brasil e João Calmon dos Diários Associados e era apresentado às 10 horas da noite, por Roberto Marinho, só para pregar o Golpe de Estado.
O programa, chamado de "Rede Democrática" foi ao ar até o dia 1º de abril, após a consolidação do Golpe. Por uma dessas coincidências terríveis, no dia 26 de abril, Roberto Marinho, com ajuda do governo, comprou a TV Paulista, canal 5 de São Paulo e deu início à construção do seu império.
Os grupos Folha de São Paulo e O Globo que eram os menores da imprensa foram os que mais cresceram com a Ditadura Militar.
O alvo principal de toda a carga ideológica era apavorar a classe média disseminando que ela estava ameaçada de perder sua condição por causa do avanço social das classes menos favorecidas e com a implantação do Comunismo no Brasil.
As outras reformas teriam sido fundamentais para nosso desenvolvimento e são reclamadas até hoje.
As sucessivas crises do Capitalismo Internacional provocaram na década de oitenta, no Brasil, a chamada década perdida, que não teriam acontecido com as reformas de Jango.
Essas crises tiveram efeitos perversos sobre nossa economia por que os capitais transnacionais investiram pesado no campo e dominam o agro-negócio e setores importantes como álcool e etanol.
A reforma agrária hoje se impõe sob novo paradigma que é: a terra tem quer ser vista como produtora de alimento das culinárias locais e sem veneno.
Isso se chama mudar a matriz do agrotóxico para agro-ecologia, criando uma agro- indústria brasileira, com áreas de preservação ambiental sem participação do capital multinacional e sendo vinculada a um programa de educação.
A classe média de hoje, precisa assumir essas bandeiras porque está pagando um alto preço pelo erro dos antepassados, ao constatar por estudos da OMS que a maior incidência de Câncer de Mama e de Próstata, onde morre muita gente precocemente, tem origem no agrotóxico.
Não se deixar enganar pela Mídia paga com milhões de dólares das multinacionais, é o primeiro passo de uma longa caminhada.
* Rômulo Rodrigues é militante político


