Cândida Oliveira
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De janeiro até agora, uma média de nove mulheres por dia procurou a Delegacia da Mulher para denunciar algum tipo de violência doméstica em Aracaju. Este dado mostra que, neste quesito, não há o que comemorar no Dia Internacional da Mulher, 8 de março. Segundo a delegada Érika Farias Magalhães, do Departamento de Atendimento a Grupos Vulneráveis (DAGV), já foram registrados, apenas em 2013, 598 boletins de ocorrência e 234 inquéritos policiais instaurados, sendo boa parte deles relacionados a crimes de lesão corporal, ameaças e injúrias. Em 2012 foram 2.860 B.Os e 1.151 inquéritos. Os números são altos, mas ela explica que a violência não aumentou, mas sim a coragem das mulheres em denunciar seus companheiros.
"Quando a mulher vítima chega até à Delegacia, nunca é a primeira vez que ela foi violentada, geralmente já existe um histórico de agressão", relatou a delegada, dando espaço para uma pergunta: por que elas não vão registrar a queixa no primeiro ato de violência? Érika responde colocando o medo como principal fator, aliado a outras situações. "Medo de represália, há as ameaças, além de existir a dependência econômica, psicológica e emocional", contou Érica. Por conta dessas conjunturas, muitas mulheres não levam o processo adiante. As desculpas são variadas: dizem que não querem ofender o marido, não querem prejudicá-los por questão do emprego, por conta de pedido dos filhos. Elas alegam vários pedidos para renunciar.
O BO é o primeiro passo da vítima na delegacia, é a notícia. Quando há lesão corporal é obrigatório a instauração de inquérito policial e a investigação inicia. Com o inquérito iniciado, a mulher não pode voltar atrás, pois o inquérito vai para justiça e se transforma em processo.
O perfil da mulher que chega até a delegacia é variado. "Atendemos pessoas dos 18 anos até quase 60 anos. Inclusive mulheres com mais de 30 anos de casamento, nesses casos, elas são na maioria das vezes levadas pelos filhos adultos", informou a delegada. Há alguns anos, a mulher que tinha coragem de prestar queixa tinha, em geral, menor poder aquisitivo, mas essa realidade já começa a mudar. "Hoje a classe média também vem até nós, sabem que aqui além de registrar a queixa, elas terão apoio psicológico e até, quando necessário, de encaminhamento para outros órgãos", completa.
A policial enumera que o companheiro, seja ele marido, namorado ou convivente, é o agressor em 95% dos casos. "Um dos fatores da causa de violência é a questão histórica, o machismo, do homem se sentir dono da mulher. Mas há também os casos de uso de substâncias entorpecentes, o abuso do álcool, que também são catalisadores para que a violência se apresente de forma mais constante", diz Erika.
O número de flagrantes é maior durante os finais de semana na Delegacia Plantonista, onde são registrados os casos. A Delegacia da Mulher está no prédio do DAGV, na Rua Itabaiana, 258, Centro, esquina com a Rua Estância. A sede funciona de segunda a sexta-feira, dás 8h às 18h. O telefone de contato é 3205-9400, mas os casos podem ser denunciados também pelos telefones 190 (Polícia Militar) e 180 (Central de Atendimento à Mulher).


