Houve no Senado Federal, na terça-feira dia 10, uma reunião da Comissão do Meio Ambiente. Era para tratar dos impactos ambientais resultantes de uma possível futura mineração do potássio nas selvas do imenso Amazonas. Presidia a sessão o senador Blairo Maggi. Pouco se falou sobre meio ambiente, o motivo real da reunião seria colocar em foco o Projeto Potássio, que o Amazonas, competentemente, vem procurando transformar em realidade, e que é, sem duvidas, estratégico para o Brasil.
O secretário da Mineração do Amazonas geólogo Daniel Borges Neva, fez uma competente exposição sobre o projeto, acentuando a sua urgência, ao lembrar que em 2019 estará esgotada a única mina existente no Brasil, que é justamente a nossa, sergipana, de Taquari – Vassouras, e, a partir de então, o país terá de importar todo o potássio que consumir, agravando ainda mais as agruras da nossa balança comercial afetada por um superávit em fase minguante. Hoje, a mina sergipana produz algo em torno de 8% do consumo nacional de potássio, num mercado em acelerada expansão por força do crescimento e tecnificação da agricultura. O secretário de mineração amazonense defendeu com muita competência o seu projeto, deixando no ar duvidas sobre o Projeto Carnalita a ser desenvolvido em Sergipe substituindo o processo atual de geração do potássio através da silvinita, o mesmo a ser adotado no Amazonas para o aproveitamento econômico das jazidas no meio da imensa selva.
O senador Eduardo Amorim faz parte da comissão, e estava presente. A ele se referiram alguns dos expositores, um, o chamando pelo nome, e os demais registrando a presença do ¨senador sergipano¨. Estranhamente, o senador sergipano que entrou calado, saiu mudo, não deu uma só palavra, quando é sabido que Sergipe poderá, bem antes do Amazonas, contribuir para a ampliação da oferta de potássio, bastando, para isso, o início no próximo ano do Projeto Carnalita, que, apesar das manifestações da presidente Dilma, da garantia que deu ao governador Marcelo Déda, vem sendo tocado lentamente pela Vale, ou, na pior das hipóteses, estaria engavetado. A mina Taquari – Vassouras está efetivamente próxima do esgotamento, mas, nos próximos três anos, bem antes que isso aconteça, Sergipe manterá e aumentará a produção do potássio, desde que entre em funcionamento o Projeto Carnalita, diferente do atual extraindo a silvinita escavada do subsolo em extensas galerias, um labirinto de tuneis a 400 metros de profundidade.
A carnalita virá do subsolo por meio da injeção de gás e agua em diversas perfurações, semelhante ao que se faz no caso do petróleo, sendo o processo menos complexo do que a mineração a grande profundidade que agora se pratica, e que será, também, aquela a ser utilizada no Amazonas, com todos os obstáculos da logística em plena selva, e dos portentosos problemas ambientais, sem que isso signifique a inviabilização do projeto amazônico, apenas, a constatação de que em Sergipe se poderá obter mais potássio antes que lá comece a mineração.
O senador Amorim pode até não ser tão conhecido nacionalmente ao ponto de o chamarem ¨senador sergipano¨, mas exatamente nessa condição anódina de ¨senador sergipano¨, ele não deveria permanecer calado, mudissimamente mudo, quando deveria ter aproveitado a excelente oportunidade para destacar as vantagens do potássio sergipano, sem, evidentemente, conflitar com o projeto amazonense. Naquele momento, uma breve e objetiva exposição sobre o Projeto Carnalita seria fundamental. Lamentavelmente, o senador Amorim, desconhecendo o problema, ou, o que é mais provável, obcecado pela ambição de tornar-se governador de Sergipe, (ambição que aliás é muito mais do seu irmão e mentor político Edivan, do que dele próprio) estaria mais preocupado apenas em conquistar partidos e em criar obstáculos para Jackson Barreto, imaginando, certamente, que se o governador interino tiver melhores condições para administrar, se tornaria um adversário mais forte. Ou seja, para o candidato, o êxito alcançado por Sergipe poderia ser fator de insucesso para a sua campanha, haja à vista as dificuldades para a aprovação do Proinveste, que ainda não foram inteiramente superadas.
Quando o interesse público se reduz a mesquinharias, então, em vez do uso da palavra certa na hora oportuna, como naquela rara e importante ocasião, surge o silencio injustificável, o silencio da omissão.


