Gabriel Damásio
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O agente de polícia João de Deus Santos, lotado na Delegacia Regional de Itabaiana (Agreste), foi preso ontem de manhã por agentes da Corregedoria de Polícia Civil (Corregepol). Ele estava trabalhando na sede da delegacia quando foi detido, em cumprimento a um mandado de prisão temporária expedido pela Vara Criminal de Lagarto (Centro-Sul). João é processado pelo crime de associação para o tráfico e foi apontado como colaborador da quadrilha de traficantes que distribuía drogas na região Centro-Sul, cujos membros foram presos durante a "Operação Carcharodon", deflagrada pela própria Polícia Civil em 7 de agosto último.
De acordo com informações preliminares da Secretaria da Segurança Pública (SSP), a prisão do agente de polícia foi um desdobramento das investigações sobre o grupo, as quais resultaram na captura de 13 acusados e na morte de Diego Cruz Matos, o "Dentinho", 28 anos, apontado como chefe da quadrilha. Na operação, a polícia apreendeu armas de fogo, drogas e carros de luxo com o grupo, que, conforme as investigações, tinha um alto poder financeiro para encomendar a droga e distribuí-la em todo o Estado.
De acordo com a corregedora-geral de Polícia, delegada Teonice Alexandre, as investigações contra João de Deus tiveram início a partir de denúncias anônimas que informavam sobre o envolvimento dele com o grupo investigado na "Carcharodon". Durante o cumprimento dos mandados de prisão em Lagarto, os policiais encontraram uma pistola de propriedade do agente, com a respectiva documentação, na casa de um dos traficantes detidos. Também foram achadas munições de calibre ponto 40.
Diante das evidências, a Corregedoria solicitou um mandado de prisão temporária contra o acusado. "Ainda não sabemos se o policial dava proteção aos traficantes ou era membro efetivo da quadrilha, mas já está configurado por provas robustas a participação dele na quadrilha. Por enquanto, ele vai responder por associação para ao tráfico, mas se ficar comprovado que as munições encontradas na casa do traficante eram da SSP o agente também responderá por peculato", explicou Teonice.
A delegada informou, ainda, que o policial responderá a processos administrativos e criminais, respectivamente na Corregepol e na Vara Criminal de Lagarto. Se condenado, João pode continuar preso e ainda ser expulso da Polícia Civil – hipótese defendida abertamente pela Superintendência da Polícia Civil, "diante das provas relevantes de sua participação com a quadrilha criminosa". O agente está recolhido ao Presídio Militar de Aracaju (Presmil), onde aguarda decisão da Justiça. A superintendente da Civil, Katarina Feitoza, vai falar sobre o caso hoje, às 8h, em entrevista coletiva na sede da SSP.


