Gabriel Damásio
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O maestro Carlos Magno do Espírito Santo, idealizador do Instituto Canarinhos de Aracaju (INCA), está prestes a ser processado judicialmente por cometer assédio sexual a uma aluna de 17 anos. Garantindo ter imagens que comprovam a denúncia, familiares da vítima afirmam que o professor recentemente conduziu a estudante para um motel instalado na saída de Aracaju, e só não houve fato libidinoso por resistência da adolescente. O caso foi investigado pelo Departamento de Atendimento a Grupos Vulneráveis (DAGV), que já encaminhou um inquérito à 11ª Vara Criminal de Aracaju, com pedido de indiciamento.
O processo corre em segredo de justiça e aguarda um parecer da Promotoria de Defesa da Criança e do Adolescente, no Ministério Público Estadual (MPE). O promotor responsável ainda não tem prazo para decidir se oferece ou arquiva a denúncia. Ouvido pelo JORNAL DO DIA, um tio da vítima confirmou as acusações contra o maestro e garantiu que, após registrar o fato através de um Boletim de Ocorrência, novos casos foram descobertos e só não foram noticiados anteriormente devido às ameaças partidas pelo próprio regente. Um dos casos envolve uma prima da adolescente, que tem 16 anos e também foi aluna do Instituto. As duas vítimas contam que os assédios começaram em 2010, mas foram revelados pelas garotas no mês passado.
O parente das vítimas (que não será identificado para preservar a identidade delas) afirmou que toda a história veio à tona em 29 de junho deste ano, quando Magno foi buscar a adolescente de 17 anos na casa dela, convidando-a para um almoço. "Soubemos depois que ele levou a menina para um motel na saída da cidade. E ao chegar lá, vendo que ela não tinha nenhuma possibilidade de defesa, ele tirou toda a roupa dela e começou a beijar, passar a mão, abusou dela", disse, ressaltando que o regente não conseguiu consumar o sexo porque ela resistiu à penetração.
Ele afirma também que, após o passeio, a estudante passou a ter mudanças de comportamento, demonstrando medo e apatia à presença do maestro. Questionada pela mãe, ela não resistiu e, chorando muito, contou que fora tocada por Carlos Magno. O parente confirmou também que a prima dela, de 16 anos, relatou ter sido beijada pelo regente, que ainda tentou tocar-lhe a barriga e os seios. Ela afirma ter resistido aos assédios dele, mas também só revelou a história assim que a família soube do assédio à prima mais velha.
As queixas foram prestadas no DAGV no início de julho e a investigação correu em sigilo. Ao final, segundo o tio das garotas, a delegada responsável pelo inquérito, Mariana Franco Diniz, pediu o indiciamento de Magno pelo artigo 215 do Código Penal, que prevê o crime de "violação sexual mediante fraude". Também foi pedido o indiciamento do maestro em um artigo semelhante do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Ao JORNAL DO DIA, o tio da vítima ressaltou a importância de ser aplicada uma punição severa para que crimes dessa natureza não sejam mais cometidas. Ele ainda exigiu que os responsáveis pelos alunos possam se unir, a fim de identificarem possíveis novos casos e posteriormente exigir providências por parte da justiça sergipana.
A acusação pode detonar uma crise no Instituto Canarinhos de Acaraju, fundado em 9 de outubro de 1999 como Organização Não Governamental (ONG) e famoso pelo trabalho musical junto a crianças carentes, tendo até se apresentado em outros estados. E os rumores já começaram a fazer efeitos: a divulgação do possível assédio vem contribuindo para uma momentânea evasão de alunos de dentro das salas de aula e apresentações. Previsto para ser lançado no último mês de julho, o mais novo trabalho do grupo ainda não foi publicado e por opção própria, Carlos Magno se afastou da função de Diretor Geral do coral, na qual hoje é ocupado pelo filho, Carlos Magno do Espírito Santo Filho.
Caso polêmico – A reportagem do JORNAL DO DIA não conseguiu falar com a delegada Mariana Diniz, do DAGV. No entanto, ela confirmou o inquérito em declaração ao Portal Infonet – que divulgou o assunto em primeira mão no início da noite de ontem. Ao site, ela declarou não ter certeza se a denúncia será aceita ou não pela Justiça, por conta das circunstâncias apuradas no caso. "Não houve estupro e nada foi forçado, é algo complicado pela idade das envolvidas e também pela postura que ele tem como professor, o que dificulta a resistência da vítima pelo fato da relação de confiança que ela estabelecia com ele. É um caso polêmico", resume a delegada.
Também à Infonet, o advogado Bruno Alexander, que representa o maestro Carlos Magno, negou firmemente a denúncia, apesar de ainda não conhecer totalmente os autos do processo. "O que aconteceu é que ele convidou a menina, sua mãe e sua avó para um almoço, mas no dia somente a menina estava em casa. Ele a levou para o almoço no shopping e foi só isso que aconteceu. O que acontece é que um dos tios dela, que inclusive já foi professor do instituto, está divulgando este tipo de coisa com o objetivo de afastar Carlos Magno da direção e assumir a gestão do local", rebateu, pontuando que já registrou boletim de ocorrência na Polícia Civil contra os parentes das vítimas e pode processá-los por calúnia e danos morais. (Com Milton Alves Júnior)


