Greve dos professores da UFS acaba após 120 dias

Cândida Oliveira
candidaoliveira@jornaldodiase.com.br

Chegou ao fim, após quatro meses de paralisação, a greve dos docentes da Universidade Federal de Sergipe (UFS). A partir do dia 24 de setembro, os 25 mil alunos da instituição espalhados em quatro campi – São Cristóvão, Lagarto, Itabaiana e Laranjeiras – voltam às salas de aula.

A decisão ocorreu na manhã de ontem, em assembleia que reuniu a categoria e colocou em votação o retorno às atividades a partir de 17 de setembro. Ficou decidido que a primeira semana será utilizada para a organização do calendário de reposição das aulas, que começam efetivamente no dia 24 de setembro.

De acordo com a diretoria da Associação dos Docentes da Universidade Federal de Sergipe (Adufs), os alunos não correm o risco de perder o período. Eles relataram ainda que dos 1.200 professores da instituição, aproximadamente 80% aderiram ao movimento.

A decisão foi embasada após discussões sobre a conjuntura da greve no cenário nacional. Com o envio ao parlamento do Projeto de Lei 4368/2012, que trata da carreira do magistério, as estratégias de luta da categoria serão reformuladas.

Durante a assembleia, os docentes demonstraram que irão se utilizar de novas ferramentas para manter a mobilização da classe. Apesar da suspensão da greve, o sentimento de continuidade da mobilização permanece forte entre os professores. "A greve não está terminada, apenas suspendemos a paralisação, que em 2013 pode ser retomada", disse a assessora de comunicação da Adufs, Raquel Brabec.

Segundo o presidente da Adufs, professor Antônio Carlos, a suspensão significa que os professores ficarão em estado de alerta. "Continuaremos mobilizados e acompanhando o PL, acreditando que o Congresso Nacional não irá ferir a autonomia da universidade nos critérios de progressão e avaliação de seus professores".

"O projeto não reestruturou a carreira. Pelo contrário, ele distancia os níveis quando nós pretendíamos que houvesse uma igualdade e equilíbrio entre eles. Por exemplo, teremos professores que vão entrar como auxiliar 1, mas com título de doutor, e depois do estágio probatório ele vai pular etapas e se enquadrar em outra classe, e ai ele não vai percorrer os 30, 35 anos de serviço. É um projeto que não traz muitas novidades, apenas manipula um reajuste que sequer acompanha a inflação", explica o presidente.

UFS – A assessoria de comunicação da Universidade Federal de Sergipe explicou que faltavam apenas seis semanas para concluir o semestre quando a paralisação iniciou. Segundo eles, mesmo com quatro meses de suspenção das aulas, os alunos não serão prejudicados.

"O novo calendário será divulgado na próxima semana e a reitoria, junto com a Pro-Reitoria de Graduação, ainda está decidindo se haverá recesso entre os períodos", explicou o assessor Luiz Amaro.
E tudo indica que ainda em novembro se encerre o 1º período e no mesmo mês inicie o seguinte. "Como temos quase quatro meses de férias, esse tempo pode ser utilizado para reposições", disse Amaro.

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