Um homem desaparecido desde o último sábado foi encontrado ontem de madrugada em um terreno baldio próximo ao farol na Coroa do Meio, zona sul de Aracaju. O almoxarife Charles Mazze dos Santos, 30 anos, estava debilitado, com as mãos e os pés amarrados, além de sinais de agressões pelo corpo
Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br
Um homem desaparecido desde o último sábado foi encontrado ontem de madrugada em um terreno baldio próximo ao Radiofarol Sergipe, na Coroa do Meio (zona sul de Aracaju. O almoxarife Charles Mazze dos Santos, 30 anos, estava debilitado, com as mãos e os pés amarrados, além de sinais de agressões pelo corpo, indicando que ele teria sido vítima de um seqüestro. A vítima foi internada na Ala Verde do Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), onde se recupera e permanece em observação.
Charles não foi mais visto desde que saiu de sua casa, em Nossa Senhora do Socorro (Grande Aracaju), alegando que iria sacar dinheiro em um banco. A família prestou queixa no início da semana à Delegacia Plantonista e o sumiço estava sendo investigado pela 5ª DM (Cj. João Alves). Às 2h de ontem, policiais da Delegacia Especial de Turismo (Detur) foram avisados por familiares de Charles de que ele havia sido abandonado no terreno baldio próximo ao Farol. Esta indicação teria sido feita pelos próprios sequestradores, em telefonema feito para a casa da vítima.
A Polícia Militar foi avisada e, por meio do Centro Integrado de Operações em Segurança Pública, repassou um alerta geral a todas as viaturas de plantão que estavam na área. O refém foi localizado por soldados da Companhia de Policiamento de Radiopatrulha (CPRp), que socorreram o almoxarife. "A vítima estava com os braços e pernas amarrados, em um local de difícil acesso, com o matagal muito alto. Soltamos as amarras e transportamos a vítima nos braços, já que ela não possuía condições de caminhar, devido à fraqueza causada pelo período de cativeiro", destacou o cabo Paulo Ferreira, comandante da guarnição.
Ainda de acordo com o cabo, Charles estava em total estado de choque e não tinha nenhuma possibilidade de pedir por socorro, pois estava fraco e esgotado. Ele foi levado para o Pronto Socorro Fernando Franco, no Conjunto Augusto Franco (zona sul), e, de lá, transferido para o Huse. Por conta disso, ainda não se sabe como esse sequestro aconteceu. "Ele ficou debilitado porque passou esse tempo todo sem comer e sem beber água. Ele não podia nem mesmo falar. Até por conta do estado dele, tomamos um pouco de cautela e decidimos não forçá-lo. Vamos esperar a Polícia Civil colher as informações quando ele estiver mais consciente", afirmou Ferreira, acrescentando que Mazze teve ferimentos semelhantes a cortes de faca nos braços.
A polícia já trabalha com as hipóteses de que o almoxarife tenha sido vítima de uma ‘saidinha de banco’ (assalto à porta de uma agência bancária) ou mesmo de um sequestro-relâmpago, mas a idéia de sequestro é considerada, pois os familiares da vítima receberam ligações dos bandidos. "A família disse que não houve pagamento de resgate, mas também não tem notícias do dinheiro que ele sacou, e nem se sabe quanto foi", desconfia o cabo Paulo. Familiares e algumas testemunhas de Charles já prestaram depoimento à polícia.

