Gabriel Damásio
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O inquérito da Polícia Civil que apura o estupro sofrido por uma estudante de 14 anos dentro da sala de monitoramento do Shopping Jardins, no bairro Jardins (zona sul de Aracaju), no último dia 12 de outubro, foi concluído ontem pelo Departamento de Atendimento a Grupos Vulneráveis (DAGV). A conclusão do inquérito confirmou o indiciamento do segurança Diogo Santos Carvalho, 42 anos, que está preso desde o dia 16 e é acusado de ser o autor do estupro. Agora, ele será processado e julgado pelos crimes de estupro qualificado (artigo 213 do Código Penal) e de obrigar adolescentes a produzir imagens de sexo explícito (artigo 240 do Estatuto da Criança e do Adolescente).
No relatório final do inquérito, já entregue à 11ª Vara Criminal de Aracaju, as delegadas responsáveis Lara Schuster e Renata Aboim voltaram a pedir que a prisão temporária de Diogo, vigente por 30 dias, seja convertida em prisão preventiva. O pedido será analisado pelo Ministério Público, a quem cabe dar um parecer sobre o caso antes de a decisão ser tomada pela Justiça. A estudante de 14 anos e o namorado dela, de 16, denunciaram à policia que foram obrigados a fazer sexo na frente de Carvalho, depois de serem flagrados por ele enquanto namoravam escondidos no banheiro infantil do shopping, então em reformas.
Ainda segundo as vítimas, o acusado levou-os até a sala de monitoramento e fez imagens da relação sexual dos adolescentes, com a desculpa de que queria uma prova do flagrante para apresentá-la aos superiores. Depois disso, segundo a polícia, o rapaz foi posto para fora da sala e a menina foi violentada por Carvalho. O segurança negou à polícia ter abusado da jovem e a administração do shopping não se manifesta sobre o assunto.
A máquina fotográfica usada pelo segurança – e pertencente ao Shopping Jardins – foi apreendida depois que a queixa foi prestada no DAGV, mas a perícia do Instituto de Criminalística constatou que o cartão de memória da câmera foi trocado na madrugada de sábado – horário em que Diogo estava de plantão – e pode ter sido jogado fora. Apesar disso, as câmeras do circuito de TV do Jardins, registraram parte da movimentação e constituem as principais provas da polícia, somadas aos depoimentos do chefe de segurança do Jardins e de colegas de trabalho, os quais confirmam que a abordagem de Diogo aos estudantes foi completamente "fora dos padrões".
Absolvido uma vez – Diogo Carvalho permanece detido em uma delegacia não-revelada, aguardando decisão posterior da Justiça. Quando o caso foi apresentado à imprensa, a polícia informou que o segurança já respondeu a processo por um furto ocorrido em julho de 1990, quando foi preso e indiciado com outros dois homens. No entanto, ele acabou absolvido da acusação, "por insuficiência de provas", no dia 16 de março de 1993, quando foi julgado pelo então juiz da 3ª Vara Criminal de Aracaju, Valteilton Ribeiro da Silva. Agora, no processo da 11ª Vara pelos crimes de estupro e produção de imagens de sexo com adolescentes, Diogo poderá ser condenado a até 12 anos de prisão.

