Chefes de quadrilha cavam buraco e fogem do Compajaf

Três presos considerados de altíssima periculosidade conseguiram escapar do Complexo Penitenciário Antônio Jacinto Filho, no bairro Santa Maria (zona sul de Aracaju), considerado de segurança máxima. A fuga aconteceu por volta da 1h30 de ontem e foi percebida de imediato pelos agentes prisionais, os quais chegaram a recapturar um quarto detento que tentava fugir. Segundo o diretor do Departamento de Sistema Penitenciário (Desipe), Manoel Lúcio Neto, eles serraram as grades de uma cela e conseguiram acesso à sala da administração do presídio, onde cavaram um buraco com 20 centímetros de largura e outros 30 de altura.

Um dos foragidos é o pernambucano Silvano Alves dos Santos, o ‘Sil’, 27 anos, chefe de uma quadrilha acusada de roubar mais de R$ 1 milhão em 15 assaltos a agências bancárias nos estados de Mato Grosso, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. Ele estava preso em Aracaju desde o dia 20 de setembro, quando foi capturado no bairro Santos Dumont (zona norte), em ação conjunta das polícias Civil, Federal e Militar. Mesmo condenado a mais de 50 anos de prisão pelos assaltos, Silvano já conseguiu fugir de outras três penitenciárias de segurança máxima do Nordeste.

O segundo foragido é Mauro Sérgio de Souza Feitosa, o ‘Maurinho’, 19, líder de uma quadrilha apontada como autora de pelo menos 10 assaltos e sequestros-relâmpagos ocorridos desde junho deste ano em toda a Grande Aracaju. Mauro tinha sido detido em 16 de setembro na cidade de Penedo (AL), por agentes do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), e está condenado a mais de 52 anos de prisão em processos judiciais por assaltos, tráfico de drogas e homicídios. O terceiro detento, Welton da Silva Rodrigues, de idade não apurada, também é condenado em processos por latrocínio (roubo seguido de morte).

Sabão no corpo – "É impressionante como eles conseguiram escapar por aquele buraco. A minha mão aberta não passa por ele", disse Manoel Lúcio ao JORNAL DO DIA, no início da tarde de ontem, referindo-se ao buraco encontrado no Compajaf. Ele explicou que os quatro presos teriam se preparado para escapar do presídio, além de se aproveitar do tipo físico. "Eles podem ter passado sabão pelo corpo. Geralmente, os presos que fogem costumam passar sabão no corpo para facilitar a passagem pelo buraco, deslizando melhor sem se machucar. Além disso, esses presos um pouco magros e não muito altos, o que é um tipo que facilita", suspeita Lúcio, pontuando que o sabão pode ser o mesmo usado na limpeza pessoal dos presos.

Já a serra usada para abrir a grade da cela não foi encontrada, bem como possíveis objetos usados na escavação dos buracos. O diretor do Desipe assegurou que as circunstâncias da fuga serão apuradas em uma sindicância interna, sem descartar qualquer hipótese, incluindo a de ter havido uma suposta facilitação de outros presos ou mesmo de funcionários da penitenciária. "A princípio, não encontramos indícios disso, mas nada está descartado ainda", disse Manoel. A fuga também será investigada pelo Cope, em inquérito a ser presidido pelo diretor da unidade, delegado Everton Santos – o mesmo que comandou as investigações que resultaram nas prisões de Silvano e ‘Maurinho’.

A Polícia Militar reforçou as buscas na região do Compajaf desde a madrugada de ontem, mas não encontrou os três fugitivos até o fechamento desta edição. Qualquer informação sobre eles pode ser repassada à polícia através do Disque-Denúncia (181). (Gabriel Damásio)

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