Bebês foram trocados em maternidade

Kátia Azevedo
katiaazevedo@jornaldodiase.com.br

Após quase oito dias de procura e angústia, chega ao fim o mistério envolvendo o desaparecimento do corpo de um bebê que morreu no 6º mês de gestação e cujo parto foi realizado na Maternidade Nossa Senhora de Lourdes no dia 17 de outubro. De acordo com informações da Fundação Hospitalar de Saúde (FHS), a criança foi trocada por um funcionário da unidade durante uma falha no processo de identificação.

A fundação informou que o necroterista irá responder por processo administrativo. O caso começou a ser desvendado na sexta-feira, 26. Segundo a FHS, a mãe do bebê desaparecido, Maria Rejane Alves de Oliveira, 24 anos, que mora no município de Japaratuba, e Rosilene dos Santos, 31 anos, que reside em Amparo de São Francisco, tiveram filhos no mesmo dia e seus bebês acabaram sendo trocados por uma falha de identificação.

Rosilene estava grávida de gêmeos, um dos bebês nasceu morto e o outro morreu após alguns minutos de vida. De acordo com a FHS, no dia 19 os pais dos gêmeos foram ao necrotério da maternidade, abriram os sacos e identificaram o filho que estava bem formado e não quiseram identificar o que estava mal formado, assinaram o livro de retirada e levaram os dois bebês para Amparo do São Francisco, onde foi feito o sepultamento no mesmo dia.

O desparecimento do bebê do casal de Japaratuba só foi percebido no dia 23, quando o pai da criança, Edvaldo da Graça, foi buscar o corpo do filho e não o encontrou.

O problema só foi constatado na sexta-feira, 26, quando o casal de Amparo do São Francisco recebeu a visita de peritos e técnicos do IML em sua casa informando a possibilidade da troca das crianças. No último sábado, 27, Edvaldo e Rejane foram informados pela FHS que o corpo teria sido trocado na maternidade e sepultado por uma família em Amparo do São Francisco.

O procurador da FHS, Carlos Diego Freitas, relata que o erro da troca dos corpos ocorreu na maternidade, por um servidor de plantão, um funcionário com mais de 26 anos de serviço público.

Diego Freitas nega a versão da família de Japaratuba, segundo a qual o corpo do bebê que estava no necrotério não tinha identificação. Ele explica que a identificação não é somente no feto, mas também no saco, o que ocorreu. Sobre a acusação do pai da criança de que um funcionário teria tentado convencê-lo a levar uma menina no lugar do bebê do sexo masculino, a FHS diz ter dúvida sobre o fato, apontando que a criança ainda era um feto em formação, o que inviabiliza saber informações sobre o sexo.

Ainda de acordo com as explicações do procurador, no dia 24 foi feito um levantamento de todas as entradas de óbito do dia 17 até o dia 23. Após o levantamento ficou constatado que o único feto que ainda estava na maternidade estava identificado como sendo o da mãe de Amparo.

"Diante da informação que tínhamos que foi retirado dia 19 os dois fetos dessa mãe de Amparo, constatamos que o erro foi na saída do necrotério em uma retirada equivocada pela família de Amparo. Diante dessa irregularidade nós contatamos a família de Amparo do São Francisco, esclarecemos a irregularidade que foi verificada e tivemos alguns indícios de que essa irregularidade teria ocorrido pelo fato de que a família de fato não abriu o saco", afirma.

Identificação – Com o consentimento de Rosilene e do marido, mas sem uma ordem judicial, o bebê foi exumado no sábado e tomadas as providências para entrega ao casal de Japaratuba. O procurador da FHS explica que a exumação foi feita de forma legal e autorizada pela família de Amparo do São Francisco.
"A violação do túmulo era da família de Amparo, que autorizou a exumação. A Comarca de Propriá também foi consultada e chegamos ao entendimento que não era necessária uma ordem judicial, tendo em vista a autorização da família e aos indícios claros de troca de bebês", explicou.

A exumação foi feita pela Secretaria de Estado da Saúde, a Secretaria da Segurança Pública e o Instituto Médico Legal (IML). Após lavração do laudo pericial, o corpo será liberado para sepultamento. A FHS informou ainda que a família será ressarcida com gastos que teve de passagens e de funeral. Segundo a fundação, o corpo já foi identificado através de um laudo do IML. O pai da criança, no entanto, fará o exame de DNA para comprovação. A exumação foi feita por um médico da Secretaria de Estado da Saúde e o transporte foi realizado pelo Serviço de Verificação de Óbito (SVO).

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