Gabriel Damásio
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O radialista Edmilson Santos de Jesus, 40, conhecido com "Edmilson dos Cachinhos", foi assassinado por volta das 21h de domingo em Itabaiana (região Agreste). O crime aconteceu dentro do estúdio da rádio Princesa FM, onde Edmilson apresentava um programa musical. Segundo informações da polícia, o crime foi cometido por dois homens que entraram na sede da rádio, no centro da cidade e seriam conhecidos da vítima. Os assassinos entraram em luta corporal com o locutor e matou-lhe com quatro tiros, sendo um na cabeça, um no braço e dois no peito.
A polícia apurou ainda que os autores do crime fugiram do local levando a motoneta Shineray e um telefone celular de Edmilson, que estava sozinho na rádio quando foi morto. A família dele recebeu a notícia quando uma ligação feita para o telefone dele foi atendida por uma voz desconhecida. O diálogo, relatado pela irmã do radialista, Eliana de Jesus, foi bastante curto e deu-se entre o filho dela e o suposto assassino:
– Alô? Tio Edmilson?
– Edmilson? Que Edmilson?
– Quem está falando?
– Aqui não é Edmilson não, rapaz. Edmilson já está morto.
– O quê?
– O seu tio morreu!
Depois disso, o telefone foi desligado e ficou fora de área. Desesperados, os familiares foram até a sede da Princesa FM e encontraram o corpo dele na sala de recepção da emissora, caído junto ao balcão, indicando que a vítima tentou sair de lá em busca de ajuda. A Polícia Militar, cujo 3º Batalhão (3º BPM) fica a mais de 100 metros do local já tinha sido chamada por vizinhos que perceberam algo errado na rádio. De acordo com Eliana, as portas estavam apenas encostadas e não tinham sinais de arrombamento. No entanto, uma cadeira estava derrubada no chão do estúdio, indicando que houve uma briga.
Na noite do crime, Edmilson apresentava o programa "Pediu, tocou!", e, por volta das 20h30, colocou uma seleção de músicas para tocar no computador do estúdio. Depois, a seleção acabou e a emissora ficou fora do ar o resto da noite e por toda a madrugada, pois sua sede ficou isolada até o fim do trabalho dos peritos do Instituto de Criminalística. A programação voltou ao normal somente no início da manhã. A direção da Princesa FM, que pertence a um dos filhos do ex-deputado federal José Queiroz da Costa, não se pronunciou sobre o assassinato e disse apenas que apenas a polícia falará sobre ele.
O crime já está sendo apurado pelo setor de Homicídios da Delegacia Regional de Itabaiana, que ouviu depoimentos de testemunhas durante todo o dia de ontem. Além da hipótese de latrocínio, outras duas motivações estariam relacionadas à morte de Edmilson: a sua atuação profissional ou a sua vida pessoal. Colegas de profissão comentaram que o locutor seria homossexual e já chegou a se envolver em problemas decorrentes de seus relacionamentos. No entanto, a família desconhece qualquer problema com inimizades e conta que ele trabalhou normalmente no dia em que morreu.
"Edmilson dos Cachinhos" trabalhava no rádio há pouco mais de 15 anos e destacou-se como operador de áudio dos programas jornalísticos dos comunicadores Gilmar Carvalho, George Magalhães, Chiquinho Ferreira e Paulo Roberto de Almeida. Em Aracaju, ele passou pela FM Sergipe e pela Ilha FM, onde também começou como locutor. Também trabalhou na Rádio Capital do Agreste, de Itabaiana. Atualmente, ele cobria férias de alguns locutores na Princesa FM e, pela manhã, trabalhava como balconista de uma padaria. Era solteiro e não tinha filhos. O corpo dele foi enterrado ao final da tarde de ontem no cemitério do povoado Rio das Pedras, na cidade serrana.
"Brutal" – O crime mobilizou o Sindicato dos Radialistas de Sergipe, cujo presidente, Fernando Cabral, já conversou com representantes da Secretaria de Segurança Pública (SSP), a quem pediu agilidade e prioridade nas investigações do crime. "Lamento profundamente o assassinato do nosso companheiro, dentro do seu local de trabalho. Essa violência não era registrada há muito tempo aqui em nosso estado, o que era até festejado por nos. A gente pede às autoridades para que façam uma apuração ágil. Que a gente saiba porquê e quem foi que cometeu esse ato brutal contra o nosso colega", declarou Cabral.
Os últimos casos de radialistas assassinados aconteceram na década passada. Em março de 2000, um pistoleiro matou a tiros o radialista José Wellington Fernandes, o "Zezinho Cazuza", que apresentava um programa na Rádio Xingó FM, em Canindé do São Francisco (Sertão) e fazia denúncias diárias contra o então prefeito Genivaldo Galindo – logo apontado como mandante do crime. No mesmo ano, em junho, o locutor Wellington Costa, da Ouro Negro FM de Carmópolis, foi assassinado com seis tiros, na BR-101, próximo à Siriri (Vale do Cotinguiba). Em junho de 2002, dois homens armados em uma moto assassinaram Cláudio Bispo dos Santos, o "Cláudio Rotay", da antiga Rádio Imperatriz dos Campos, em Tobias Barreto (Centro-Sul).

