O Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10) registrou deflação de 0,28% em novembro, depois de registrar alta de 0,42% em outubro. O resultado também é inferior ao apurado em novembro de 2011, 0,44%. Em 12 meses, a taxa acumula alta de 6,95% e, no ano, de 6,75%.
Segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV), o resultado de novembro foi influenciado, principalmente, pelo subíndice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que teve queda de 0,57%, ante a variação de 0,4% em outubro. Entre os produtos do atacado que apresentaram deflação destacam-se os alimentos processados, cuja taxa passou de 2,73% para -0,95%.
O subíndice de Preços ao Consumidor (IPC) também diminuiu, ao passar de 0,57%, em outubro, para 0,36%, em novembro. Cinco das oito classes de despesa componentes do indicador registraram decréscimo nas taxas de variação. O principal destaque partiu do grupo alimentação (de 1,13% para 0,3%).
Terceiro e último componente do IGP-10, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) ficou em 0,22% em novembro, abaixo do resultado do mês anterior, 0,24%.
Os cálculos do índice foram feitos no período de 11 de outubro a 10 de novembro. O Índice Geral de Preços é uma média do Índice de Preços no Atacado (IPA), do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) no Rio de Janeiro e São Paulo e do Índice Nacional do Custo da Construção Civil (INCC). É mais usado em contratos de longo prazo.
Construção civil cresce mais de 8%
O acesso ao crédito, somado ao crescimento da renda dos brasileiros, fez com que o número de construções civis aumentasse nos últimos anos. Segundo levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), nas capitais e regiões metropolitanas o índice de crescimento nos últimos 12 meses foi de 8,1% – número muito acima da indústria (0,9%), dos serviços (3,2%) e do comércio, que teve uma queda de 0,7%. Essa elevação causa impacto direto na geração de empregos no setor terceirizado, cada vez mais requisitado pelas empresas da construção.
"Existem especificidades no setor civil que diferem dos demais", justifica Antônio Carlos Mendes Gomes, presidente da Comissão de Política de Relações Trabalhistas (CPRT), da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). "Em razão disso, é que se tem um grande numero de empresas especializadas, congregando os profissionais qualificados. Assim, existe a possibilidade de um vínculo permanente", detalha.
Pintor há 20 anos, Otávio Ferreira, 27, é trabalhador terceirizado em uma empresa especializada somente em pintura. "O bom desse emprego é que não falta serviço, pois termina-se uma obra e logo tem outra nos esperando. Isso é vantajoso pelo fato de diminuir o risco de desemprego", exemplifica o pintor. Otávio prefere não seguir o trabalho por conta própria devido ao receio de perder garantias trabalhistas. "Com carteira assinada, se eu sofrer um acidente, por exemplo, terei uma segurança maior", avalia.
Elson Macedo, 29, também pintor, tornou-se trabalhador terceirizado devido à dificuldade de se inserir no mercado de trabalho – mas reclama do trabalho excessivo e do salário defasado. "Há uma pressão para se cumprir metas apertadas. Se não conseguimos, recebemos apenas o salário de carteira, que é pouco." Elson acredita que falta uma regulamentação. "Como se trata de um trabalho por produção, muitas vezes, para completar o trabalho, deixo de tirar o horário de almoço e faço horas extras – que às vezes não são pagas. É necessário ter normas que devem ser fixadas no trabalho", reivindica
Na opinião dele, as empresas terceirizadas devem tratar os trabalhadores com os mesmos moldes que a contratante do serviço trata os funcionários efetivos. "É necessário ter condições iguais, como o pagamento da hora extra, salário e também os mesmos benefícios", sugere.
O encanador Márcio Expedito Filgueiras, 38, crê que houve uma mudança na postura das empresas terceirizadas. "A exigência das construtoras e a falta de bons profissionais em todos os setores, trouxe uma valorização para a nossa classe. Hoje, o salário está acima do teto da categoria", comemora. Para ele, que já trabalhou como funcionário efetivo, houve um avanço na terceirização da construção civil, como a caracterização da função de cada trabalhador. "Eu já tive que atuar como pedreiro e cheguei a fazer serviços elétricos. E isso é um risco porque tinha pouco conhecimento. Além de existir a possibilidade de um erro na instalação, tinha grande chance de acontecer um acidente", relembra.
De acordo com o presidente da CBIC, Paulo Safady Simão, é necessário encontrar alternativas para modernizar e evoluir a formulação atual do país. "A terceirização da mão de obra já deveria estar pacificada. A sociedade está mais madura. E o modelo eleva o índice de rotatividade do trabalhador".
O ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST) Guilherme Caputo Bastos endossa: "A empresa não vai manter na obra um profissional capacitado para exercer uma função que ela não precisa mais. No entanto, se eles estão em uma empresa especializada para aquele tipo de serviço, estarão em permanente atividade", ressalta.


