Cândida Oliveira
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A desocupação de cerca de 500 casas no bairro 17 de Março, em cumprimento ao termo de reintegração de posse assinado pelo juiz Raphael Silva Reis, deveria ter acontecido nessa segunda-feira, 19. No entanto os Guardas Municipais de Aracaju resolveram não participar da ordem, justificando não ter as mínimas condições de trabalho para o serviço.
Essa foi a decisão tomada pela categoria através de uma assembleia realizada no dia 13 de novembro. "Ficou acertado previamente que quando fosse acontecer a desocupação das casas no 17 de Março, os guardas não iriam participar. Eles estão insatisfeitos e quem estava em serviços extraordinários nesta segunda-feira não atendeu a convocação", explica o presidente do Sindicato dos Guardas Municipais de Aracaju (Sigma), Denis Frutuoso.
Ainda de acordo com o presidente do Sigma, os guardas estão desarmados. "Mesmo usando armas, não temos condições de participar dos trabalhos porque não temos sequer capacetes para trabalhar em um local tão inseguro. A Guarda Municipal é vulnerável e não possui material bélico para trabalhar em desocupações", garante.
O presidente do sindicato lembrou que desde o último sábado, 17, os guardas não estão no bairro 17 de Março. "Não existe um local para o pessoal ficar, nem banheiro e desde sábado os trabalhadores decidiram não permanecer no local", ressalta.
Diante da decisão, o diretor da Guarda Municipal, major PM Edênisson Paixão garantiu que os guardas atenderam ao chamado para participar da desocupação. "Mas os trabalhos foram suspensos porque os policiais entenderam ser melhor tentar mais uma conversa. A PM vai negociar mais uma vez para que não haja confronto e as famílias possam sair com tranquilidade. O pessoal convocado compareceu sim. Os guardas atenderam a minha convocação e estavam prontos. Dos 150 homens que vieram só uns dez se negaram", destaca.
Ocupação – As famílias que ocuparam as casa no bairro 17 de Março detalham história de truculência e desrespeito. No dia 6 de novembro a Guarda Municipal, junto com o Batalhão de Choque, estiveram no local para realizar a desocupação, mas as famílias se recusaram a sair.
No dia 7, seis caminhões baú estavam disponíveis para realizar a desocupação das residências. Segundo o pedreiro Adagilson de Jesus Souza, a noite foi movimenta no conjunto com mais mudanças. "Começamos com 20 famílias, ontem tinham 80 e hoje todas as casas estão ocupadas. A polícia ficou de vir hoje para a desocupação, mas não vamos sair, pois nenhuma proposta foi apresentada", afirma.
Durante a tentativa de desocupação ontem, Wedna Santos conta que a filha machucou o joelho quando um dos policiais empurrou a porta da residência. "Já ia abrir a porta quando o policial empurrou com força e acertou a perna da minha filha que estava nos meus braços. Ela nem está conseguindo ficar em pé e chora muito", disse.


