Trio pode ter matado comerciante por dívida

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

Três rapazes foram presos pelo assassinato do comerciante Damião de Jesus Santos, 46 anos, morto a tiros no início da noite desta quinta-feira, em frente à mercearia de propriedade da vítima, na Rua Maria Pastora, Cj. Augusto Franco (zona sul de Aracaju). O crime, a princípio, foi caracterizado como uma tentativa de assalto, mas a confissão dos envolvidos apontou para outra motivação: uma suposta dívida de R$ 200 que o comerciante tinha com um dos acusados, um adolescente de 17 anos. Os três foram autuados em flagrante e, inicialmente, serão processados por homicídio qualificado.

Segundo a polícia, Damião foi abordado por Bruno e pelo menor na porta do açougue, por volta das 18h, e morreu depois de levar um tiro no peito e outro no pescoço. A dupla fugiu até um VW Gol de cor branca e placa GTZ-2933/BA, que pertence a Marcos. Testemunhas que estavam nas portas das lojas vizinhas viram a ação dos suspeitos e chamaram imediatamente à Polícia Militar, que acionou equipes do Grupamento Especial Tático de Ações com Motos (Getam). "Após o crime, o Ciosp foi acionado e imediatamente passou a informação para policiais do Getam que faziam patrulhamento próximo. Com a ajuda de moradores e com a rapidez das motocicletas, foi possível em um espaço de cinco minutos localizar o trio que foi abordado e preso, disse o comandante do Policiamento Militar da Capital (CPMC), coronel Jackson Nascimento.

Com os acusados, a polícia apreendeu o carro e dois revólveres usados no crime, sendo um de calibre 22 e outro de calibre 38. As armas serão periciadas para identificar quem disparou os tiros contra o comerciante.

Inicialmente, os três jovens negaram o crime, mas eles acabaram admitindo depois de serem levados de volta até a mercearia e reconhecidos pelos vizinhos que se aglomeraram em volta do local do crime. Levados à Plantonista, os presos foram interrogados durante a noite-madrugada pelo delegado plantonista Marcos Garcia.

As testemunhas e os familiares afirmaram à polícia, logo após o crime, que os criminosos pretendiam assaltar Damião, que por sua vez teria reagido à abordagem e baleado. Um dos que acreditam nesta hipótese é o vereador eleito Max Prejuízo (PSB), que é líder comunitário e lembrou que o comerciante tinha prometido reagir a qualquer assalto. "Ele tinha um jeito muito forte, firme, até mesmo rude, e sempre dizia que, caso algum assalto acontecesse, ele iria reagir. Por coincidência, ele conversou sobre isso por volta das duas da tarde com um policial civil aqui da comunidade, que é chefe de captura. E ele disse: ‘se me assaltar, vou reagir’. Infelizmente, perdemos um amigo", lamentou.

Apesar do relato, a Polícia Civil descartou a hipótese de latrocínio (roubo seguido de morte), pois nenhum objeto ou quantia de dinheiro foi levado do comerciante. "Inicialmente eles afirmaram que o crime foi motivado por uma dívida de R$ 200,00 que a vítima tinha com o menor por conta da venda de um aparelho de DVD. O menor afirmou que o comerciante disse que não tinha dinheiro e então resolveu disparar contra ele. O Bruno disse que, assustado, também disparou contra o comerciante", afirmou Garcia, esclarecendo que outras investigações definirão que tipo de crime ocorreu. "Caso comprovemos que foi um homicídio, o caso ficará com o DHPP. Surgindo novas informações ou testemunhas que indiquem que o crime foi um latrocínio, aí será investigado pela 4ª Delegacia Metropolitana", completou.

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