JOÃO ALVES NEGA ACORDO COM DÉDA E JACKSON E PREGA DIÁLOGO

Chico Freire
chicofreire@jornaldodiase.com.br

Em entrevista ao JORNAL DO DIA, o prefeito eleito de Aracaju, João Alves Filho (DEM), nega qualquer entendimento com o governador Marcelo Déda (PT) e com o vice-governador Jackso0n Barreto (PMDB), visando às eleições de 2014. Mas ele garante que não podem deixar de discutir política por não serem inimigos, mas adversários políticos.

Com relação à presidência da Câmara de Vereadores, João Alves diz que só vai discutir essa questão mais à frente, mas entende ser natural que o partido que ganha a eleição é quem deve ocupar a presidência da Casa.

Com relação ao Proinveste, diz não conhecer o projeto em detalhes. "O que eu acho e o que me diz respeito, eu sou sempre da seguinte tese: Eu jamais, em oportunidade nenhuma e sob qualquer pretexto, ficarei contra os interesses do estado, e entendo que, sempre com um bom entendimento, uma conversa, é essencial".
Leia a íntegra da entrevista.

Jornal do Dia – Quais os principais pontos do seu governo que serão implementados de imediato?
João Alves Filho – Evidentemente que nós estudamos todas as demandas de Aracaju e temos, não um projeto final de engenharia, mas sabemos os projetos de engenharia que precisam ser contratados. Em outras áreas, a exemplo da Educação, onde já tivemos encontro com vários especialistas, terá uma atenção especial. Já na área da saúde tivemos a semana passada em Minas Gerais encontro com secretários de saúde de vários municípios trocando ideias e é sempre bom pegar experiências de outras localidades e tentar aplicar aquilo que for bom em nosso estado e nossos municípios, por se tratar de ideias novas que trarão benefícios para a população.
O que posso dizer é que estou trabalhando tanto quanto na campanha e tenho me sentido feliz pela receptividade que as pessoas tem comigo, dos mais idosos aos mais jovens, e isso aumenta a minha responsabilidade, até Maria (sua esposa) tava dizendo, ‘você pare um pouquinho porque vai chegar o dia da posse mais cansado do que na campanha’.

JD – Nos Estados Unidos se gasta 7,8 mil dólares por pessoa, no Canadá 4,3 mil dólares, na França 4,2 mil dólares, no Brasil 876 dólares. Como fazer para resolver o problema da saúde?
JA – Em todos os desafios que temos hoje em Aracaju aquele que é mais angustiante e que a população se sente mais oprimida e mais abandonada é a questão da saúde. Antes de aceitar ser candidato a prefeito eu passei cerca de dez meses andando pela periferia para ouvir da população os seus principais problemas. Claro que existem problemas imensos e em várias faixas, mas o que atinge mais de perto a população, especialmente a população pobre é exatamente a questão da saúde. E digo sem medo de errar, de todos os problemas que estou enfrentando agora e estudando e analisando, aquele que tenho achado mais problemático, não tenho dúvida que é a questão da saúde.
Mas eu sou otimista e estamos procurando as soluções possíveis que realmente tragam uma satisfação maior para a comunidade, não uma satisfação de ordem política, mas satisfação no sentido prestado. O principal da saúde hoje, eu diria que no estado e no município, é uma questão de gerenciamento, e esse é o grande problema.

JD – Além da saúde, existe também o problema da mobilidade urbana. Como o senhor vai tratar desse tema?
JA – A mobilidade urbana é um problema gravíssimo hoje no mundo todo, e no Brasil essa questão atingiu de uma forma explosiva porque a malha viária das nossas cidades não estava preparada para essa "invasão" de veículos que triplicou a sua frota em todo o País. Um outro aspecto que nós tivemos um raciocínio absolutamente equivocado no planejamento, onde planejamos as cidades para os automóveis e isso é impossível. Nós temos que planejar as cidades partindo de uma premissa que o principal problema é resolver a questão do transporte coletivo, que deve ter toda a prioridade. Lamentavelmente Aracaju está em uma situação que precisa ter uma maior atenção nesse sentido.

JD – Com relação à presidência da Câmara de Vereadores, o senhor já começou a discussão com os vereadores sobre essa questão?
JA – Olhe, eu digo sempre o ensinamento bíblico "cada dia com sua agonia". Eu adoro participar de eleição, não tenho cansaço porque gosto de estar com o povo, e o que cansa são aquelas contrariedades, mas não aquela luta, aquela demanda junto à população, por ser um contato muito próximo, e já enfrentamos essa etapa. Agora nós estamos na etapa da outra agonia, que é a transição. É uma demanda de informações, documentação, subsídios, porque muitas informações não são publicadas, não estão ao alcance e é preciso que se tenha um trabalho muito meticuloso com os secretários da atual gestão, eu diretamente com o prefeito coletando dados e informações. Estamos com uma boa equipe e com responsabilidade.
Com relação à presidência da Câmara é uma questão que vou discutir posteriormente. Eu estou nessa etapa agora, a etapa seguinte vai ser a escolha dos secretários e daquelas posições que são importantíssimas, e a etapa seguinte vai ser a de discussão da presidência da Mesa da Câmara.  

JD – O presidente será um vereador do DEM?
JA – Isso eu não posso adiantar. O que posso adiantar é que em todo mundo e em toda democracia, o governo que ganha é aquele que indica a presidência do parlamento, então aqui não deverá ser diferente. Agora, eu não fui eleito só pelo DEM, eu fui eleito por um grupo de partidos que se somaram, mas minha principal responsabilidade é com o povo de Aracaju.
Os critérios que vou assumir e que os já tenho em mente, nós teremos um cuidado muito grande, com respeito aos demais partidos, mas sempre dando prioridade aos interesses da população, quer dizer, com meritocracia, seriedade, capacidade de trabalho.
JD – Procede a informação de bastidores de que está existindo um "namoro" entre o senhor, o vice-governador Jackson Barreto (PMDB) e o governador Marcelo Déda (PT)?
JA – Não. É preciso a gente desmistificar esse conceito equivocado de que adversários políticos são inimigos. Na minha concepção isso não existe. Eu sou adversário politico do governador Marcelo Déda, como sou de Jackson Barreto, mas não sou inimigo. Então, o governador Marcelo Déda é o governador de todos os sergipanos e eu posso falar com toda autoridade porque fui derrotado na eleição. Tudo bem, eu tenho que respeitar porque isso é democracia e ele é o governador e nós temos que ter um diálogo. Eu sou presidente do DEM e agora prefeito de Aracaju eleito, mas eu tenho que manter diálogo. Fui junto com a minha esposa, a senadora Maria do Carmo, fazer uma visita ao governador em sua residência e estamos torcendo pelo restabelecimento de sua saúde, e isso é um processo natural, e tudo que indicar uma melhora na saúde dele, interessa a todos nós sergipanos.
É evidente que nessa via, eu sou político, Maria é política, ele é político, e quando a gente senta, claro que conversamos saúde, saúde, saúde, mas sempre há uma pitada de colocação política, mas de forma civilizada, mas nada que isso venha significar acordo e nem namoro.

JD – Qual a avaliação do senhor sobre o Proinveste?
JA – Olha, eu estava dizendo agora mesmo que tenho trabalhado tanto depois que saí da eleição, hoje até minha esposa, Maria do Carmo, me deu um puxão de orelha dizendo que daqui a pouco eu vou assumir o governo de bengala. Há muito tempo que não participo dessas coisa de Assembleia.

JD – Mas o senhor é favorável ao projeto?
JA – Eu não conheço o projeto em detalhes. O que eu acho é o que me diz respeito, eu sou sempre da seguinte tese: Eu jamais em oportunidade nenhuma e sob qualquer pretexto ficarei contra os interesses do estado, e entendo que, sempre com um bom entendimento, uma conversa é essencial. Eu participei de um processo muito difícil na vida política nacional no governo do presidente Sarney, e nós tínhamos diálogo, assim como com Fernando Collor, que era radical, mas dialogávamos. Eu defendo sempre o diálogo, mas eu não tenho autoridade para dizer que conheço detalhe do projeto, porque não conheço.

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