Gabriel Damásio
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Uma família inteira foi vítima de dois homens que tentavam assaltar uma agência bancária em Umbaúba (Sul). Por volta das 12h20, a dupla que fugia de um tiroteio com policiais militares do município invadiram a casa de um casal de aposentados e tomou sete pessoas como reféns, incluindo o próprio casal, dois homens adultos, uma mulher de 27 anos, uma criança de 11 anos e um bebê de nove meses. A casa foi cercada durante toda a tarde por diversas unidades da Polícia Militar, que depois de uma longa e tensa negociação, conseguiram a rendição dos bandidos e a libertação dos reféns, por volta das 18h10.
Os dois assaltantes, de acordo com a polícia, são da Bahia e faziam parte de uma quadrilha de pelo menos dez assaltantes que tentou roubar um carro-forte que abastecia as agências do Banese e do Banco do Brasil, ambas situadas na Praça de Eventos da cidade. Antes deste ataque, três membros do grupo assaltaram um fazendeiro conhecido como "Detinho do Cachimbo", um dos mais populares da região. "Detinho" saía de um povoado quando foi rendido pela quadrilha e foi obrigado a entregar sua caminhonete, uma Toyota Hilux de placa FFV-1400/SP, além do telefone celular e de uma quantia em dinheiro.
Mesmo roubado, o fazendeiro conseguiu ligar, de outro aparelho, para a polícia. De acordo com o tenente Alan Jones de Santana, da 2ª Companhia do 6º Batalhão de Polícia Militar (2ª Cia/6º BPM), os policiais foram avisados do assalto pelo telefone, seguiram em busca pelos criminosos e acabaram encontrando o veículo no meio do caminho. "Eles nem sequer chegaram à agência, porque nós conseguimos interceptá-los", disse ele. Uma perseguição e uma troca de tiros se seguiram, até que a caminhonete batesse no portão de uma casa.
Os três ocupantes desceram e ainda atiravam, mas se dividiram: enquanto um deles conseguiu escapar invadindo telhados e quintais de algumas casas, os outros dois entraram na casa da família e anunciou o seqüestro, tomando as mulheres e os adultos como escudos. A partir daí, começaram as horas de negociação. "Quando recebemos a informação de que eles tinham entrado na casa, confirmamos a presença deles com os vizinhos e eu consegui, do meu telefone, entrar em contato com um dos assaltantes, que se identificou como Júnior, através do celular de uma das reféns. Daí, comecei a negociar e ofereci garantia de vida para que eles se entregassem, mas eles não se deram por satisfeitos", relatou Alan.
Além da garantia de vida, os bandidos pediram a presença do juiz da Comarca de Umbaúba, de um promotor e de dois advogados além de médicos e da imprensa. As presenças exigidas chegaram à casa invadida ao longo da tarde, junto com os reforços policiais: além de equipes do 6º BPM, em Estância, soldados do Grupo de Ações Táticas do Interior (Gati), do Comando de Operações Especiais (COE), do Grupamento Tático Aéreo (GTA) e do Grupo de Gestão de Crises e Conflitos (GGCC) foram enviados de Aracaju.
Durante as negociações, a mulher e as duas crianças foram libertadas por volta das 14h30. Em troca, duas enfermeiras do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) entraram na casa e fizeram curativos em um dos ladrões, que estava baleado na perna. As enfermeiras foram liberadas às 16h20, mas a tensão permaneceu, principalmente quando o terceiro assaltante foi visto em outra residência, escondido na casa do cachorro. Alertados por um menino, um grupo de policiais foi até o local, mas não encontrou o suspeito.
A situação ficou mais calma após a chegada do juiz Antônio Carlos Martins, do secretário de Segurança Pública, João Eloy de Menezes, do secretário-adjunto João Batista Santos Júnior e do comandante-geral da PM, coronel Maurício Iunes. As negociações avançaram e os criminosos decidiram se render. Os quatro reféns saíram na frente, formando uma espécie de barreira humana, mas os criminosos saíram da casa sem as armas e com as mãos na cabeça. "Ninguém ficou ferido. Os reféns estavam muito tranqüilos e tinham a confiança de que tudo iria acabar bem no final", disse o tenente, confirmando que todas as vítimas voltaram para a mesma casa após passarem por uma avaliação médica.
Os dois criminosos que estavam na casa, cujos nomes não foram revelados, foram levados para a sede do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), na capital. Com eles, foram apreendidas duas escopetas calibre 12 e quatro pistolas calibres 380 e 9mm. A dupla foi presa em flagrante e será autuada pelos crimes de roubo, cárcere privado, formação de quadrilha e porte ilegal de arma, entre outros crimes.


