Acidente em obra deixa operários feridos

Cândida Oliveira

Seis metros. Essa foi a altura da qual dois trabalhadores da Construtora Celi caíram de um edifício em construção, localizado próximo à avenida Jorge Amando, zona Sul de Aracaju.

De acordo com o engenheiro de segurança do trabalho da empresa, Max Silveira, os carpinteiros José Paulo Santos e José Marcos Carneiro estavam presos a um cinto de segurança que rompeu. No momento da queda, os dois homens trabalhavam em uma base de madeira.

"Eles usavam todos os equipamentos de segurança conforme as normas de segurança NR 18. O cinto é fabricado para suportar 100 kg e todos dois têm menos que o exigido", explicou Silveira. Ele ainda afirmou que a empresa que fabrica os cintos será acionada. "Vamos fazer testes com o cinto para identificar o que aconteceu".

Os carpinteiros foram socorridos pelo Samu. José Marcos Carneiro apresentou um estado mais grave, pois reclamava de dores pelo corpo e fraturou a mão. João Paulo teve escoriações leves e também reclamava de dores pelo corpo. Os dois estavam acompanhados de funcionários da construtora. Segundo a enfermeira do Samu, Valdenora Andrade, nenhum dos dois apresentava estado grave. "Identificamos deslocamento do punho, corte de supercílio, mas no hospital vamos avaliar se houve alguma fratura na coluna".

A assessora de comunicação da Secretaria de Saúde de Aracaju, Déa Jacobina, informou que os carpinteiros foram atendidos na Unidade de Pronto Atendimento Nestor Piva, Zona Norte da capital sergipana. "A família de um deles está removendo o paciente para um hospital particular, pois deseja realizar exames mais especializados", contou.

Denúncia – O presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Sergipe (Sintracon/SE), Raimundo Reis visitou a área da obra e foi até o Nestor Piva. Ele reclamou da qualidade do cinto de segurança. "Todo cinto tem três anos de garantia, mas quando utilizado na construção civil, a vida útil dele diminui, por conta da exposição ao sol, chuva, cal e até o suor. Com a queda, fica a prova de que o cinto já deveria estar vencido", denunciou.

O Sindicato irá solicitar ao Ministério Público do Trabalho uma auditoria na obra e análise do material que os trabalhadores estavam utilizando no momento do acidente. "A empresa já recolheu o material, acho difícil que liberem para o Sindicato, mas vamos tentar", avisou Raimundo. Durante a visita à obra, o sindicalista relatou que encontrou diversas irregularidades no local. "Vimos trabalhadores com fardamento rasgado, botas furadas, falta de material de segurança, entre outros problemas. São situações que não deveriam ser permitidas", alegou.

O técnico de segurança do Sintracon, Ademir Melo Santos, disse que todo material utilizado como objeto de segurança na construção civil deve ter o Certificado de Aprovação (CA). "Questionamos como um cinto de segurança não suporta o peso de uma pessoa com menos de 100 kg", alega.

Compartilhe esta notícia