Sem um tostão de dinheiro público

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

Ninguém vai me empurrar a própria alegria goela abaixo. Pouco afeito aos tambores trazidos a peso de ouro da Bahia, o Tio Maneco Botequices preparou uma rota de fuga para os sobrinhos e nos oferece uma alternativa pra lá de interessante para quem não faz do ouvido penico e prefere valorizar a prata da casa ao invés de descer até o chão, obediente aos apelos despejados de cima do trio. Durante o Pré Caju 2013, só vai ouvir porcaria quem não conseguir ultrapassar a faixa de gaza transportada para a Avenida Beira Mar, ou realmente fizer questão de sacodir o corpo feito criança.

Enquanto um lado da cidade ferve ao som dos pracatuns baianos, o Tio Maneco oferece palco, holofote e a atenção da galera para a molecada que faz barulho aqui mesmo em nossa aldeia; Gente que vem colecionando críticas entusiasmadas em alguns dos principais veículos dedicados à música país afora, apesar da miopia escandalosa da imprensa local. Isso tudo sem um tostão de dinheiro público. O tio garante.

Plano B – A farra começou ontem, com o noise da Snooze. Hoje é a vez de um tributo aos Beatles feito por Arthur Matos, Fabrício Rossini e Rafael Ramos. Egressos da banda Nantes, os músicos já deixaram claro em oportunidades anteriores – quando reproduziram o derradeiro "Let it be" (1970) de cabo a rabo, por exemplo – que têm competência suficiente pra deixar qualquer beatlemaníaco embasbacado. A farra acaba sábado, com as bandas Rush Cover e Ac/DC Cover.

Segundo Fredy Franco, sócio do Tio Maneco, a Rota de Fuga é uma exigência dos frequentadores da casa. "O público que costuma frequentar o Maneco pediu e nós estamos, mais uma vez, atendendo à turma que curte outro tipo de música, diferente da que rola no Pré-Caju. Há espaço para todos e nós estaremos abertos para oferecer uma opção diferenciada".

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