Enfermeira exonerada denuncia caos no Huse

Chico Freire
chicofreire@jornaldodiase.com.br

Caos na saúde pública de Sergipe. Essa é a situação em que se encontra o Hospital de Urgência de Sergipe (Huse). A denúncia foi feita pela enfermeira Rute Andrade, recentemente demitida do setor de oncologia e segundo ela, "para atender interesses políticos e financeiros".

A enfermeira Rute Andrade mostrou ontem um verdadeiro Raio X da situação em que se encontra o Huse e principalmente o setor de oncologia. Segundo Marcelo, diretor da FHS, a exoneração aconteceu por conta de um "abaixo assinado" que teria sido realizado por médicos e funcionários daquele setor e que seria uma remodelação do setor.

A informação passada pelo diretor foi contestada e desmentida pela enfermeira Rute, que em tom de desabafo disse que "isso é para atender interesses políticos e financeiros". Mas o que mais chamou a atenção na entrevista da enfermeira foi a informação de que a falta de médicos no hospital é constante, e que além disso,"médicos que deveriam trabalhar seis horas, ficam apenas quatro e vão embora. Outros simplesmente não comparecem ao trabalho e não há justificativa. É certo isso? Teve uma situação em que um paciente passou mal, porque estava com câncer no pulmão e quando eu fui à procura de um médico não havia, porque onde era para ter quatro médicos, tinha apenas um", relatou a enfermeira, explicando ainda que há profissionais responsáveis e que dão total assistência e atenção aos pacientes.

Segundo Rute Andrade, "há médicos bons, mas há também aqueles que não se preocupam. Tem médico que chega às sete e era para sair às treze horas, só que quando é onze horas ele vai embora. É isso que é para acontecer no setor público?", questionou a enfermeira e em desabafo contou: "é preciso que façamos um debate sobre tudo que acontece lá. Eu me coloco à disposição para a gente debater tudo isso", disse.
Sobre o "abaixo assinado", a enfermeira contou ainda que "eles arrumaram trinta assinaturas, inclusive assinatura de quem não é médico. Portanto, isso foi apenas uma desculpa para me tirar de lá", contou e complementou: "um dos médicos que assinou essa lista, eu fui até a sala dele e disse que não tenho raiva dele, porque ele é um ser bom para pacientes e por isso não tenho mágoas dele", desabafou.

Há uma informação ainda de que a exoneração da enfermeira aconteceu sem o conhecimento da Secretaria de Saúde do Estado.

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