Milton Alves Júnior
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Sem ter onde se alojar, cerca de 60 famílias que no final da semana passada foram despejadas de casas populares no bairro 17 de Março, em Aracaju, estão se aglomerando e erguendo barracos na praça principal do bairro. Por estarem ocupando um espaço irregular, por intermédio de policiais que atuam na região a Prefeitura de Aracaju já informou que as famílias devem deixar o local imediatamente. A notificação informal tem por objetivo evitar que uma nova estratégia de reintegração seja promovida. Sem ter pra onde ir, muitos ameaçam invadir algumas residências que ainda permanecem desabitadas.
Com barracos erguidos com pedaços de madeira e cobertos com lona, a praça onde as famílias estão concentradas não possui serviço de saneamento básico, nem água encanada. Para fazer as necessidades fisiológicas e cozinhar, os invasores estão utilizando matagais nas redondezas e pegando água das casas onde estavam ocupando há pouco menos de uma semana. Apesar dos pedidos de retirada, os moradores garantem que não vão sair. Para Carlos Araújo, a falta de um destino decente contribuiu para que os barracos fossem levantados. "Não temos para onde ir. Se nas casas não pudemos ficar, decidimos ficar aqui mesmo até que a prefeitura arranje um lugar", declarou.
Reclamando de uma possível desassistência por parte da administração municipal, os populares dizem que todos os pertences das famílias foram enviados para um galpão que fica em frente ao aeroporto da capital sergipana. De acordo com Josefa Maria, sem ter onde deixar os eletrodomésticos, vai permanecer na praça e os pertences no galpão. "Infelizmente não tenho um teto para ficar com minha filha e meus netos. Como a prefeitura está garantindo a segurança das minhas coisas, vou continuar aqui no bairro até que a situação melhore. Acho que vai demorar, mas ainda temos esperança de dias melhores", afirmou.
Obedecendo a ordens superiores, alguns guardas municipais que atuam no bairro preferiram não ser identificados, mas disseram que existe a expectativa de uma nova retirada. "Não fomos informados quando seria esse trabalho de reintegração da praça, o que sabemos é que futuramente essas famílias terão que sair daqui até por motivos de segurança", disse um agente.
Nota – De acordo com a assessoria de comunicação da Secretaria Municipal da Família e Serviço Social, até o presente momento não existe a perspectiva de amparo para as famílias que estão reunidas na praça do bairro 17 de Março. Segundo informações, todos devem ficar atentos para futuros cadastros para programas populares que terão ordem de serviço assinadas pelo prefeito da capital, João Alves Filho. Questionada por quanto tempo as famílias devem permanecer ocupando irregularmente a praça, a direção do órgão municipal informou que esse procedimento não é de competência da Secretaria de Assistência Social, e sim, da Secretaria de Comunicação.


