Ainda repercute nos meios esportivos em todo o Brasil, o mal estar ao qual foram submetidos alguns atletas do América de Propriá, durante e principalmente logo depois do jogo contra o Confiança, no vestiário. O fato poderia passar despercebido, não fosse a conotação dada pelos atletas, que alegaram fome e alimentação inadequada.
O episódio ganhou destaque na imprensa nacional. Os atletas passaram mal, foram atendidos no estádio e depois encaminhados à Unidade de Pronto Atendimento Nestor Piva.
A alegação dos atletas Tiago e Murilo é que se alimentaram mal no dia do jogo. "Almoçamos, mas não tivemos um jantar digno. Fiquei tonto e sem reação aqui no vestiário. Não jantamos antes da partida, só comemos biscoito e pastel, doado pelo pessoal da imprensa antes do jogo. Melhorei um pouco, mas ainda não me sinto bem. Em campo, corri muito e deve ser por isso o mal-estar", disse Tiago Arapiraca, antes de receber atendimento do Samu.
O treinador Marcos Chaves ficou ao lado dos atletas, confirmando a falta de alimentação e pediu respeito pelo que o America representa no futebol sergipano. "É muito difícil. Você não ter comida para dar a seu jogador e pedir que eles dêem o máximo dentro de campo. Mas vou continuar até o fim. Não vou desistir deste time. Peço para as pessoas terem mais respeito. O América não é qualquer time é um clube que tem títulos estaduais, desabafou emocionado Marcos Chaves.
Algumas críticas foram dirigidas à Federação Sergipana de Futebol (FSF), pela falta de ambulância, médico e equipamento. O vice-presidente Milton Dantas, disse que a FSF tem tomado todos os cuidados nesse aspecto. "Não podem criticar a FSF, pois atendemos exigências do MPE, Estatuto do Torcedor e de outras leis e entidades fiscalizadoras. A ambulância estava no estádio durante o jogo com médico, enfermeiro, medicamento e equipamento, inclusive desfribilador. Acontece que a ambulância foi acionada meia hora depois encerramento do jogo", revelou Milton Dantas, eximindo a responsabilidade da entidade.
Principal responsável pelo clube, o presidente Joaquim Feitosa minimizou o fato, alegando que foi "apenas uma indisposição dos jogadores sem maiores conseqüências".
Feitosa lamenta a falta de recursos. "Mesmo assim, os salários dos jogadores estão em dia. Vários recursos foram cortados, mas ainda estamos na competição. Mas estamos chegando ao limite. Não vou dizer que os jogadores não tem o que comer. A alimentação pode não ser a ideal para atletas. O jantar ia ser servido em Maruim, porque não temos dinheiro para pagar restaurante em Aracaju", justificou Joaquim Feitosa.
O presidente disse que não falta alimentação. Alimentação eles têm. Ninguém passa fome, se passassem, os atletas estariam mortos. Mas reconhecemos que a alimentação não é a ideal para um atleta" desabafou Joaquim Feitosa.
Apesar dos problemas, o América faz uma campanha razoável e melhorou muito no segundo turno. É o sexto colocado com 11 pontos e ainda não briga contra o rebaixamento.
Na próxima rodada, o América recebe no estádio Governador Valadares, no sábado, 30, o Lagarto, às 16h00. E já espera nessa partida contar com os atletas Thiago Arapiraca e Murilo, envolvidos nos episódios desta quarta-feira.


