Monique Oliveira
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A reunião que ocorreu ontem entre representantes da Fundação Hospitalar de Saúde (FHS), pediatras e neonatologistas para tentar resolver o problema do fechamento das escalas de plantões não foi nada otimista para a categoria. De acordo com o presidente do Sindicato dos Médicos do Estado de Sergipe (Sindimed), João Augusto Alves Oliveira, mais uma vez o Governo reafirmou o que disse há um ano e meio, ou seja, que iria tentar contratar médicos para a unidade hospital.
"Na reunião só foi dito que vão contratar médico. Eles só falam e nada fazem, mas já tomamos a decisão de cobrar a ação judicial que foi encaminhada para o Ministério Público. Além disso, queremos que esse descumprimento seja convertido em ação judicial criminal, pois não é aceitável uma situação como essa", colocou o médico e representante da categoria.
Ele enfatizou que o Governo de Sergipe não tem mais a confiabilidade para resolver o problema da Maternidade Nossa Senhora de Lourdes (MNSL). Somente no mês de março quatro profissionais pediram demissão, o que resulta em um total de mais de 20 médicos que deixaram de atuar na maternidade.
"Em um ano e meio foram mais 20 demissões. Além disso, muitos afirmaram que não fariam mais hora-extra devido às péssimas condições de trabalha na MNSL", afirmou o presidente do Sindimed.
João Augusto completou que o Sindimed sempre denunciou a falta de estrutura na MNSL, e agora o Governo deixou chegar ao ponto de não ter mais médicos na escala de plantão. Ele contou que dois dias da semana a MSNL não tem médicos de plantão e no resto dos dias, quando era para ter cinco só tem um ou dois profissionais.
"Não queremos mais conversa com o Governo sobre o problema, e sim que cumpram o que determina a ação judicial. Que ele não tente, e sim contrate profissionais de forma correta, ou seja, por meio de concurso e valorize os que estão na ativa com melhores condições de trabalho", completou.
SES – Por nota, a direção da Fundação Hospitalar de Saúde informou que a reunião com membros da superintendência da Maternidade Nossa Senhora de Lourdes e os médicos neonatologistas da unidade foi bastante positiva. "Os neonatologistas apresentaram seus anseios, os problemas que os afligem durante o seu dia-a-dia de trabalho e assumimos um compromisso de fazer um mapeamento de todos os questionamentos feitos pelos médicos por meio de um canal de diálogo, para que a Fundação Hospitalar de Saúde possa solucionar estes problemas de forma rápida", afirmou o diretor geral da FHS, Marcelo Vieira.
Na nota, o diretor operacional da FHS, Wagner Andrade, que também participou do encontro afirmou que o diálogo é fundamental para que o trabalho em conjunto seja desenvolvido. "Demos o primeiro passo para que o problema seja solucionado. Houve uma manifestação positiva para que haja a contratação de novos profissionais, para diminuir a sobrecarga dos colaboradores da maternidade", esclareceu.
Além das condições de trabalho e exonerações solicitadas pelos próprios profissionais da casa, foram discutidos assuntos que vão desde ampliação da carga horária dos neonatologistas que já trabalham na unidade com a remuneração de acordo com as horas trabalhadas, até o recrutamento de novos médicos através do regime celetista. Essas medidas têm a finalidade de reorganizar as escalas de plantão.
Na próxima segunda-feira, 8, a diretoria da Fundação Hospitalar de Saúde se reunirá novamente com os médicos da MNSL para que, juntos, possam analisar o andamento das novas medidas que serão adotadas.


