Sindicalistas contestam reajuste da PMA

Cândida Oliveira
candidaoliveira@jornaldodiase.com.br

Enquanto a inflação anual ficou acima dos 7%, prefeito de Aracaju João Alves Filho concedeu reajuste linear de 5% para todos os servidores municipais, a partir de abril. O impacto aos cofres públicos com o aumento será de R$ 15 milhões de abril a dezembro desse ano.

Daqui a pouco, às 8h, na sede da Força Sindical, localizada na avenida Barão de Maruim, 12 sindicatos representantes das mais diversas categorias da Prefeitura de Aracaju realizam coletiva para falar do reajuste concedido. Já no dia 24 de abril, às 8h, haverá reunião dos servidores municipais no Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe (IHGS), no centro de Aracaju.

O percentual não agradou aos servidores. Segundo o presidente do Sindicato dos Servidores do Município de Aracaju (Sepuma), Nivaldo Fernandes, o atual prefeito concedeu o reajuste sem conversar com os servidores. "Ele sequer convidou os sindicatos para negociar, aconteceu tudo na calada da noite. Queremos saber como ele definiu esse reajuste", questionou.

Nivaldo ainda chamou João Alves Filho de neofascista. "Os servidores devem dar uma demonstração ao prefeito para que ele entenda que não tem o direito de implantar o neofacismo dentro da Prefeitura de Aracaju", declarou o sindicalista.

Ele ainda denunciou a nova reforma administrativa que deve entrar em vigor assim que for aprovada pelos vereadores aracajuanos. "Em janeiro ele criou 300 cargos e já encaminhou para a Câmara de Vereadores 14 projetos com a criação de novos cargos. Ele quer transformar a prefeitura de Aracaju no estado de Sergipe", reclamou Nivaldo. Acrescentou que se a prefeitura passou três meses de administração reclamando que não tem dinheiro em caixa e muitas dívidas "como se cria mais cargos se a Prefeitura está em situação de pobreza?", questionou mais uma vez o presidente do Sepuma.

O Sindicato dos Médicos de Sergipe (Sindimed) também reclama da postura do prefeito e o acusa de retirar direitos adquiridos dos servidores. Segundo o presidente do Sindimed, João Augusto Albuquerque, o prefeito cortou direitos adquiridos quando ignorou a data base dos servidores públicos, estabelecida para o mês de janeiro.
Para ele, quando o prefeito anunciou o reajuste de 5% para a remuneração dos servidores públicos, antecipou o anúncio para a classe médica durante reunião que teve momentos antes de oficializar o reajuste com os representantes do Sindimed. "O prefeito retirou um direito do trabalhador e assumiu uma dívida de três meses com os servidores. O reajuste já fazia parte do orçamento aprovado no ano passado pela Câmara de Vereadores, é um pagamento que já havia previsão", disse o presidente do Sindimed.

Para avaliar a postura do prefeito João Alves Filho, os médicos estarão reunidos em assembleia geral na próxima segunda-feira, 22, a partir das 14h na sede do Sindimed. Nesta assembleia, segundo o presidente, a classe pretende também definir as alternativas para cobrar do prefeito a retroatividade do reajuste salarial.

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