Seca se alastra e já são 30 cidades em emergência

Monique Oliveira
moniqueoliveira@jornaldodiase.com.br

"A situação da seca tem ficado cada dia mais caótica". Essa afirmação é do secretário executivo da Defesa Civil (Depec), tenente-coronel Gilfran Mateus. Segundo ele, o número de municípios com Decreto de Emergência homologado já chega a 30, ou seja, 40% dos municípios sergipanos sofrem atualmente com a seca. As novas cidades que entraram na relação da Depec foram Laranjeiras, Simão Dias, Lagarto, Riachão do Dantas, Nossa Senhora das Dores, Feira Nova e Macambira.
"Comprovadamente esta seca é a pior dos últimos 60 anos. Já extrapolou as fronteiras do semiárido. Hoje nós temos municípios como Laranjeiras declarando situação de emergência. A gente vem desde 2011 trabalhando e, lamentavelmente, não houve recuperação dos cenários afetados. Então, de lá para cá, o Estado vem dando assistência às famílias por meio dos programas sociais, como operação pipa, cestas de alimentos, sucos, entre outros", destacou o militar, acrescentando que o gado, que normalmente não era tão afetado, agora está morrendo.
"Antes tínhamos água do barreiro que ajudava na sobrevivência dos animais, a pastagem quando estava normalmente acabando vinha o período chuvoso e recuperava. E desta vez, como vem desde 2011 sem recuperação, hoje o gado está sofrendo bastante. Essa seca realmente está trazendo problemas bastante graves", afirmou Mateus.

Apesar de ter sido reconhecida a situação de emergência, Laranjeiras ainda está sendo analisada pela Defesa Civil Estadual, pois segundo o tenente-coronel, o município fez a solicitação diretamente ao Governo Federal, e por isso ainda não teve o decreto homologado pelo gestor estadual.

Itabaiana – Com relação a Itabaiana, que anunciou situação de emergência semana passada, as documentações ainda estão sendo averiguadas para poder ter o decreto homologado pelo Governo do Estado. "Itabaiana é um caso parecido com o de Laranjeiras, só que lá a decretação foi no município. Estamos analisando o documento, as perdas para ver se tecnicamente existe situação de emergência. Porque não adianta o município querer e não ter condições que leva a situação de emergência por que o gestor vai responder futuramente", esclareceu.
"Temos 107 caminhões contratados, mas temos a meta de atingir 120 caminhões. Além da gente, tem a Operação Pipa Federal executada pelo Exército, que deve ter quantidade semelhante de caminhões", salientou o militar.

Diante da questão, ele explicou ainda que a demanda de caminhão para a Operação Pipa não é a comum, pois o período de estiagem fugiu dos padrões de anos anteriores. "Temos o dobro de estiagem dos anos anteriores, que vai do final de novembro a final de maio. Com isso, estamos convocando aqueles que têm caminhões e queiram trabalhar que entrem em contato com a Depec", colocou o tenente-coronel, ressaltando que os interessados só podem participar das ações, desde que os caminhões estejam em boas condições.

Deso – Com relação aos povoados do Sertão, por exemplo, que possuem encanação da Deso, mas que a água não chega às torneiras e também não recebem água da Operação Pipa, o secretário Executivo da Depec ressaltou que está ocorrendo reuniões periódicas com a Deso para que essa situação seja resolvida. "Fica difícil para a Defesa Civil levar água em local onde, em tese, já tem água. Se a Deso chegar a uma conclusão que não tem condições de atender, a Companhia tem que encaminhar para a Depec um relatório para que a gente possa atender a essas comunidades", frisou.

Para as comunidades que têm rede de abastecimento, mas não recebem água regularmente seja por conta dos efeitos da estiagem e alta demanda ou mesmo por ocorrências de furto de água, o gerente da Unidade de Negócio do Sertão da Deso, Anderson Pedreira, garantiu que o fornecimento da água potável por meio de carros-pipa tem sido executado. "É válido ressaltar que essa situação ocorre em algumas comunidades mais isoladas, diferentemente das sedes municipais", frisou.

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